Prémio VEA - Vivre en Angola


3º Lugar no Concurso de Fotografia lançado pela Petrolífera Total em Junho de 2016




A receção do Prémio




Discurso de Apresentação do Livro "Os Limites do mal..." na FNAC



O caminho das pedras faz-se lenta e silenciosamente. Um caminho doloroso, mas necessário.
As separações não são fáceis, deixam sequelas, mas, há sequelas e sequelas, há as sequelas que o tempo apaga e as sequelas que o tempo insiste em reescrever.

Eu decidi não permitir que sequela alguma em mim habite.

Não gosto do processo de vitimização e abomino solenemente quem se aproveita deste processo para conseguir atingir os seus fins. Gosto de pessoas lutadoras, que se empenham em atingir os seus objetivos sem magoar terceiros. Gosto de pessoas que virem a página, de pessoas que não impeçam os outros de ser felizes, porque fazer da infelicidade alheia uma missão, não é senão o espelho da sua própria infelicidade, e isto não é fácil de ver ou até de reconhecer.
E este livro é o testemunho de como o mal não tem limites, que tudo se faz e diz sem consequências maiores… a imposição de um outro ser e a vitimização são alguns dos ingredientes que pautam este livro.

Não quero nem sou vitima de nada a não ser de mim própria.

Eu faço o meu caminho, eu pago pelos meus erros, mas também pago pelas minhas vitórias e conquitas… não faço dos outros bodes expiatórios, nem imponho a minha presença a ninguém, não obrigo ninguém a me amar ou odiar, mas obrigo-me a mim mesma a ser quem eu sou, a ser leal para comigo mesma, a ser leal para com os meus sentimentos e princípios. Por isso, hoje estou aqui, denunciando-me sem pudor, sem medos ou receios, porque Vida só tenho uma e é nela que eu quero habitar sem qualquer tipo de preconceito, temor ou pavor.

Aprendi a Viver a Vida com intensidade, a registar todos os momentos, aprendi que a Vida é demasiado preciosa para permitir que a tristeza e o ódio habitem nela.
Aprendi a valorizar cada momento meu, aprendi a valorizar-me e decidi que jamais ser algum me voltará a tratar mal…

Aprendi a gostar de Mim.
Obrigada!


Ana Mascarenhas


Entrevista ao Jornal "Inside" - O Jornal à tua medida







I.F. Como se vê a Ana Mascarenhas Pessoa da Escritora?

A.M. Atualmente a Ana Mascarenhas Pessoa não difere muito da Ana Mascarenhas Escritora. Decidi dedicar-me a causas, e a escrita não é exceção. Através da escrita quero denunciar os males da sociedade. Como Pessoa denuncio o que acho estar errado quer seja através dos órgãos competentes, quer seja através de atos próprios, com a escrita faço o mesmo, faço das letras o grito de alerta.


I.F. O que te motiva e leva a continuar a escrever?

A.M. Acima de tudo o que me motiva a escrever são as emoções. Quer sejam elas eufóricas ou disfóricas são as emoções a base da minha motivação, porque tudo me provoca emoção, logo, tudo me motiva. A injustiça, os afetos, o prazer, o deleite, a cobardia, o medo, a ganância, enfim… sentimentos e as suas contradições humanas resumidas numa única palavra… emoções.


I.F. Sei que vem nova obra a caminho. Como nasceu, a razão? O que sentiste enquanto a escrevias?

A.M. Sim, é verdade! Está para breve uma nova obra e nasce na sequência da primeira pergunta, ou seja, decidi dedicar-me a causas. Por razões muito pessoais, decidi fazer da minha própria experiência de vida uma força interior, um alerta, uma denuncia, chamar a atenção da sociedade para o que está mal, o que devemos fazer para mudar, não recear sair da zona de conforto, desafiar os nossos medos e aprender a viver, porque vida só há uma e é nela que temos que apostar.
O que senti ao escrever??! Senti muita coisa. Muitas emoções, contradições, revolta, pena, raiva, mas também, serenidade por me saber livre, por me saber em paz para comigo mesma, por saber que nada fiz para merecer o que me aconteceu e acreditar que um dia o tempo me dará as respostas que hoje não tenho. O tempo aparentemente nosso inimigo é o nosso maior aliado.

Bolero!




Fecho os olhos
Oiço a música
Ela em mim cresce, floresce
Bolero!

O som levemente perscrutado pelos meus ouvidos
Segue na direção do meu cérebro e este apenas o dirige para o meu corpo
Uma vez mais, Bolero!

De olhos vendados e sentidos apurados, Bolero fecunda-me a Alma
Invade-me o corpo e dele faz o seu palco, o seu recinto de melodia
Com ele os meus braços acenam suavemente como asas de borboletas
Que espantam o vento, mas não a ventania… é tudo muito suave… a música toca

Toca ainda no seu estado mais puro, as batidas são delicadas, por isso o corpo dança
Balança com pés de veludo, sem machucar, sem esvoaçar
A batida aumenta, os sons esventram-me o corpo, e nele tudo estremece
Os sentidos tendem a explodir, a música força-me a sentir
É uma vez mais, Bolero!

O delicado passa a excessivo, entro em erupção, entro em completo transe, explosão
A música torna-se insolente, descarada, metediça, e sem licença pedir, penetra-me no corpo e dele faz o seu coito, o seu prazer… sentir, apelar e saborear o que é bom de ouvir…. Bolero!

Sim, Bolero de Ravel, a balada que aumenta o prazer de sentir ao ouvir tamanha melodia. 


Ana Mascarenhas

Ana Mascarenhas na RDS Lisboa

Ana Mascarenhas esteve na RDS Lisboa para falar sobre o seu próximo Livro "Os Limites do Mal".





No decorrer da conversa entre quem é a Ana Mascarenhas como Mulher e o que faz em Angola, Ana Mascarenhas leu um poema de sua autoria intitulado "Sou Lisboa!"


Sou cidadã do mundo!
Mas hoje choro!

Choro porque sei irei em breve deixar novamente a minha Lisboa

Lisboa que me viu nascer
Lisboa que me viu crescer
Lisboa que me viu florescer
Lisboa que me viu amar
Lisboa que me viu parir
Mas, também, Lisboa que me viu morrer

Hoje choro!
Choro por deixar a minha Lisboa da forma como tenho que deixar
Choro por deixar a minha Lisboa que tanto Amo
Choro por deixar a minha Lisboa, a minha história, a minha Vida, também

Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
E não deixo de Amar cada canto por onde passo
Cada recanto por onde ando
Cada pessoa que trespasso
Cada cultura que aprendo
Mas acima de tudo não deixo de Amar também a Minha Lisboa

A terra que me viu nascer, aquela em que me mataram a Alma
Mas também aquela em que dela faço a Fénix renascida das cinzas

Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
Mas acima de tudo sou Lisboa!


Ana Mascarenhas





A Equipa
Sandra Brazinha e Carlos Pinto Costa



Ana Mascarenhas na RDS RADIO 87.6 FM



Os Limites do mal…

Este livro retrata a vida de uma mulher casada, mãe de dois filhos e, que um dia se apaixonou pela vida. Apaixonou-se de tal modo pela vida que quis segui-la de acordo com os seus princípios, sendo leal a si mesma, mas, ao tomar essa decisão, criou danos colaterais e cruelmente foi julgada de uma forma tão acutilante quanto agoniante, quer pelo marido, quer pelos próprios filhos.

É um livro escrito na primeira pessoa, identidade que a autora já nos habituou, refletindo um passado presente, mas com a certeza, porém, de que o futuro sendo incerto é tão certo como a morte.

Ana Mascarenhas nasceu em Lisboa no dia 28 de Julho de 1969. Trabalha há mais de 20 anos na área das Tecnologias de Informação e Comunicação. Empreendedora na área da gestão hoteleira abraçou um projeto ao qual dedicou, também, parte do seu tempo. No entanto, a sua formação académica pauta-se pela área das Letras. Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos e Minor em Estudos Literários e Artísticos e com uma Pós-Graduação em Gestão de Empresas dedica-se, igualmente, à escrita, leitura e agora muito recentemente, também à fotografia.

Na década de 90 participou ativamente para a já extinta revista “Cérebro, escrevendo artigos sobre Software de Gestão.

Ana Mascarenhas foi à RDS Lisboa, no dia 11 de Setembro, 6ª feira entre as 16 e as 17 horas, falar sobre o seu amor pela escrita e sobre o seu próximo livro "Os Limites do Mal", e também pela sua paixão pela fotografia.
Pode ouvir em 87.6 FM ou em  www.rds.pt

Palavras Prévias - Os Limites do mal...





Este livro retrata a vida de uma mulher casada, mãe de dois filhos e, que um dia se apaixonou pela vida. Apaixonou-se de tal modo pela vida que quis segui-la de acordo com os seus princípios, sendo leal a si mesma, mas, ao tomar essa decisão, criou danos colaterais e cruelmente foi julgada de uma forma tão acutilante quanto agoniante, quer pelo marido, quer pelos próprios filhos.

É um livro escrito na primeira pessoa, identidade que a autora já nos habituou, refletindo um passado presente, mas com a certeza, porém, de que o futuro sendo incerto é tão certo como a morte.

Este livro, aliás, na sequência do último, "Silêncio Denunciado" é um grito de alerta para todas as mulheres que sofrem de violência doméstica. De salientar que a violência doméstica não se prende apenas e só com o ato físico em si, prende-se também com a violência emocional que mais não é do que a sequência e consequência da violência física.

Não é um livro fácil de escrever, até porque tenho que (re)visitar memórias ainda frescas que continuam a magoar quem escreve e quem lê... quem as viveu já nada sente, tal foi e é a dor que conseguiu anestesiar todo e qualquer sentimento, incluindo, matar a capacidade de voltar a  Amar...

[...]

Coloquei as chaves à porta. Tinha acabado de fazer uma viagem de cerca de 7 horas. Estava cansada, apenas queria tomar um banho e ir tratar de toda a papelada que necessitava de tratar para depois descansar. Mal entro vejo-o sentado, com aquele ar carrancudo, com ar de poucos amigos. Depois da minha mãe sair, porque foi ela que me foi buscar ao aeroporto, tentei cumprimentá-lo, mas em vão. Dirijo-me à sala de jantar e vejo a mesma cheia de álbuns fotográficos, cheia de coisas em cima da mesa. Questionei o porquê de tamanha desarrumação e enquanto questionava dirigia-me para junto dele. Foi então que do nada senti um soco seguido de estalos, murros, derrubando-me por completo no chão. Sem perceber ao certo o que se estava a passar, tentei defender-me ao máximo da força bruta que pairava em cima de mim, tentava proteger a cara dos murros, mas eles encontraram outras partes do corpo, o pescoço, as mãos, os braços, as pernas, as costas… tudo. Tentei escapar e da boca só me saía, amo-te, para, amo-te… nunca te fiz mal, eu amo-te, para. Numa das minhas tentativas de fuga consegui fugir para a rua e gritei o mais que pude por socorro. Veio uma vizinha em meu auxílio, mas ele apenas dizia que eu estava louca, para não ligar que eu estava louca e precisava de ser medicada. Supliquei por tudo, para ela não me abandonar, pedi-lhe ajuda, socorro, implorei que não me deixasse ali, que não me abandonasse. Ela veio junto a mim e levou-me para dentro do seu carro. Foi a minha salvação!

Não parei de pedir desculpa. Desculpava-me por tudo o que estava a fazer passar a uma pessoa que mal conhecia, a minha vizinha. Sentia-me envergonhada, completamente humilhada, sentia-me perdida e sem saber o que fazer, o que pensar.

A meu pedido, a minha vizinha deixou-me num centro comercial, um local onde estivesse muita gente, porque entretanto e através do telefone da minha vizinha telefonei para a minha mãe, para ela ir ter comigo. Fiquei sem telefone, ele foi literalmente esmagado nas minhas mãos e depois atirado para o chão.

Mal entrei no centro comercial senti-me diferente, tudo me era estranho, a vida em si tinha desabado e nem ela fazia sentido, não consegui olhar ninguém de frente, tal era a vergonha, tal era o medo que soubessem que eu, uma mulher independente, do século XXI, levou uma tareia e nem sequer se soube defender, por isso, envergonhei-me de tal ato, por ser tão independente numas coisa e tão dependente noutras, a proteção da família a qualquer preço. [...]

Ana Mascarenhas

Prefácio do Livro (In)Confidências

Prefácio ao livro (In)Confidências de Ana Mascarenhas




Nunca conheci (pessoalmente) Ana Mascarenhas, que não fosse pela leitura de duas das suas obras e através de comentários seus, vertidos sobre as minhas notas insertas no meu perfil do Facebook. E, devo dizer, com toda a verdade e propriedade, que os seus comentários me foram valiosíssimos no contributo que deram para a melhoria da minha escrita poética no uso que faço do pseudónimo Miguel Faia, sob o qual me atrevo, ainda que a medo, a escrever este prefácio, a cujo pedido com alguma relutância, acedi, por me julgar incapaz de o fazer.

Foi na qualidade deste pseudónimo – Miguel Faia – que a autora me endereçou tão honroso convite para que lhe prefaciasse a sua obra autobiográfica, onde me encontrei, com ela – com a vida dela – que se dispôs partilhar com o público. Um público sempre difícil de conhecer e avaliar, pelo julgamento que faz de nós, quando com ele ousamos dividir aquilo que durante uma vida pensámos e exigimos apenas nosso, sem intrusos pelo meio; aquilo que, quantas vezes, permaneceu fechado a sete chaves no mais íntimo de nós. 

HONRA, à coragem deste MULHER – ESCRITORA que tange a alma do leitor, mesmo a daquele que a tem mais empedernida e que se julga inviolável aos sentimentos alheios e imbatível nas suas decisões de granito de não se deixar envolver e enlevar pela escrita – por uma escrita em que a sensibilidade feminina é notória em todo o seu percurso, mas também firme nas suas decisões – que feriu (no bom sentido) profundamente a minha alma com tão nobre, sentida e firme partilha. HONRA à coragem desta MULHER – ESCRITORA que dá a cara a um público desconhecido que hesita quantas vezes em nos ler, mas que perderá uma excelente oportunidade na ausência da leitura deste livro de Ana Mascarenhas, uma magnífica obra autobiográfica.

(In)Confidências é o auto retrato duma mulher corajosa em todos os quadrantes da sua vida, que aqui se dá, mais uma vez, a conhecer. Uma escritora de coragem e de talento que escreve como respira, que escreve com a força da (sua) vida.

O acto de escrever sobre si e de si, desta escritora, é de coragem e afigura-se-me como um difícil empreendimento, porque é indizível o que senti ao ler o manuscrito desta sua obra. A partilha pública da sua vida, desde os íntimos pormenores, àqueles que nos parecem de menor relevância, mas que são tão ou mais importantes que os primeiros, enchem-nos de uma certeza evidente e absoluta: esta MULHER – ESCRITORA, de força férrea, que põe na sua obra a verdade da sua vida, num momento em que todas as certezas lhe ruíam por terra, sai inquebrável e invencível, qual iceberg que não se desfaz pelas mudanças climatéricas constantes a que o planeta terra está sujeito nesta constante degradação.

Obra repleta de sensações e inquietações, as (In)Confidências de Ana Mascarenhas têm alma, são palavras sentidas, nuas e cruas, palavras de verdade e com verdade que não deixam insensível à sua leitura o mais duro e empedernido coração. MULHER – ESCRITORA, MULHER – CORAGEM, sem fronteiras no pensar e no dizer que a não inibe de tornar público o que vivenciou, o que passou, o que sentiu num mais ou menos longo período em que a catástrofe nacional de maus governos constantes a atiraram para o mundo do desemprego, atrevo-me a dizer, um “mundo sem fronteiras”, ou antes, um mundo em que as fronteiras desse mundo (des)governado se dilatam para lá dos limites do impensável, que a não coíbe de dizer o que sente pondo o dedo na ferida e afrontando responsáveis de certos actos contra si e os seus cometidos.

A coragem desafrontada de dizermos sempre o que pensamos, a verticalidade que nos distingue dos demais, daqueloutros que estão além da vulgaridade, porque destes últimos se torna desperdício falarmos, duplica-nos o valor, redobra-nos a humildade mas a persistência audaz em continuarmos não esmorece; e o mais nobre sentimento que despertamos nas consciências daqueles que nos escutam, que nos leem, que fazem de nós julgamentos justos, são os melhores louros que podemos colher. Terá sido isto, tenho a certeza, que a escritora Ana Mascarenhas sentiu, que Ana Mascarenhas doravante sentirá sempre que a sua veia criadora fluir para o nascimento de uma nova obra, de um novo filho, não gerado no ventre mas concebido na vontade e orientado pelas vozes do coração e da razão.

Teria sido, porventura, mais fácil para mim, falar sobre o seu estilo, analisar por dentro a sua vasta obra autobiográfica, qualifica-la com uma dúzia de adjectivos, mais ou menos bem elaborados a enfeitarem um belo discurso. Não que a obra o não mereça e não lhe fazia favor absolutamente nenhum: nem à obra nem à autora. Mas isso é o banal numa opinião literária, ou “crítica literária”, como soe dizer-se. Mas não falaria eu, não escreveria eu, com a verdade do coração; falaria com a verdade da razão. Numa obra em que o coração se expôs, se expõe e se sobrepõe à razão, seria cometer injustiça, para com a obra e a autora, falar do seu estilo literário – quando ele é branco e flui com a naturalidade com que a água cristalina corre! Fico, na certeza, de uma escritora que merece figurar nos escaparates nacionais e ombrear com os melhores escritores. Aqueles que verdadeiramente o são!

Enfim… deixo ao leitor o franco sentimento que me despertou esta obra e um conselho e desafio: prove-me que não tenho razão.


Miguel Faia (poeta)

Novo Acordo Ortográfico

Publicação na Revista Nº2 "a Chama folhas poéticas"



Novo Acordo Ortográfico

O Novo Acordo Ortográfico para além de ser uma norma é, antes de mais, uma forma de afirmação sobre a identidade de uma língua.

Ao contrário do que muito se diz e escreve sobre esta matéria, o Novo Acordo Ortográfico nada tem a ver com a perda de identidade ou a aproximação ao Brasil. Antes pelo contrário, reforça a identidade de uma língua e, não de um país, como muito se escreve, e, reforça, igualmente, a língua e a sua única variante nos quatro cantos do mundo, pois, quanto mais pessoas falarem, escreverem e lerem em português, mais rapidamente ela se difunde e poder-se-á tornar a língua oficial de um determinado país. Assim, foi e é, também, através desta norma que a língua portuguesa se tornou a quinta língua mais falada em todo o mundo.

O Novo Acordo Ortográfico visa, ante de mais, grafar de forma coerente a palavra em concordância com a dicção da mesma.

Tornar-se-ia, imprescindível criar mais variantes, para além da variante português do Brasil, dever-se-ia criar outras variantes como, a variante português de Angola, a variante português de Moçambique e, assim por diante, pois, como escrevi, tornar-se-ia mais fácil fazer da língua portuguesa a língua oficial de cada país. Assim como existe a língua inglesa de U.K, a língua inglesa dos E.U.A e, assim por diante, em Portugal, também existe as suas variantes, infelizmente e, até então, apenas uma, a do Brasil, ou seja, é isto que chamamos as variantes de uma língua.

Se tivermos em linha de conta que, a língua portuguesa não é de Portugal, mas, de quem a fala, tornar-se-á mais fácil a compreensão sobre esta temática das variantes. Se a língua portuguesa fosse apenas de Portugal, seria apenas escrita, lida e falada em Portugal e por portugueses, ora, não é esse o caso, pois, a mesma é lida, escrita e falada por pessoas também, não portuguesas e, igualmente, por portugueses que habitam noutras partes do globo. Assim, a língua portuguesa é de todos a que a falam, lêem e escrevem no seu exato momento.

Faço uma analogia com os livros: Os livros que escrevi foram meus até ao momento em que foram publicados, a partir do momento em que os publiquei, deixaram de ser meus para serem de quem os lê. Com a língua portuguesa o caso é semelhante, logo, a língua portuguesa é de quem a fala, de quem a lê e de quem a escreve e, não apenas de um país.

Em relação ao facto, das pessoas menos informadas afirmarem que, o Novo Acordo Ortográfico revela uma perda de identidade e uma aproximação ao Brasil, nada tem de verdade, passo a explicar:
Primeiro: Há muito que deixámos de escrever a palavra “batizado” sem a consoante (-p) ou, até, a palavra “Vitor” sem a consoante (-c) e, nunca ninguém contestou. Se soubermos que as únicas consoantes que “caem” são a (-c e a -p) e, apenas quando não são pronunciadas, está meio caminho andado para uma plataforma de entendimento sem falsas especulações. Obviamente que, outras alterações há, como grafar em minúsculas os dias da semana ou até os meses, mas, pelo que tenho lido e ouvido, esta perda de consoantes é a que tem suscitado maiores dúvidas, logo, más interpretações por as pessoas não estarem devidamente informadas. É muito fácil apontar, é muito fácil dizer: não concordo, no entanto, torna-se imperativo dizer porque é que não se concorda e, quando se explica o porquê dessa não concordância convém, antes de mais, validar a mesma com base em factos e, não apenas em (des)informação.
Por exemplo: a palavra “facto” continua a grafar-se em Portugal com a consoante (-c), isto porque, a mesma é pronunciada, já no Brasil e, por a mesma não ser pronunciada, a palavra correspondente ao mesmo significado é a palavra “fato” sem a consoante (-c). Outro exemplo é a palavra “fato” sem (-c) que, continua a ser grafada em Portugal sem o (-c) por a mesma não ser pronunciada, no entanto, no Brasil a palavra com o mesmo significado é “Paletó”. Como facilmente se pode constatar, em nada nos aproximamos ao Brasil, apenas criamos normas de grafia de acordo com a dicção de cada país.

Fernando Pessoa escreveu:
“A minha pátria é a língua portuguesa”

Esta frase aparentemente complexa, acaba por ser simples. Fernando Pessoa afirma que, a sua pátria não é Portugal mas, a sua língua, independentemente se está em Portugal ou, se é português, neste caso, foi (é) português.
Esta frase refuta também, afirmações como tenho lido e ouvido que, estamos a esquecer os nossos poetas, antes pelo contrário, estamos a dar razão ao que este grande homem da geração “Orpheu” em tempos já afirmou. A sua pátria é a sua língua, é a língua que no exato momento fala, escreve e ouve.

Muito mais haveria para explicar sobre a evolução de uma língua, através da sua rápida difusão histórica. Por isso e, como costumo dizer… a única constante é a mudança, há que mudar para evoluir…



Ana Mascarenhas

"Vazios da Escrita" na Livraria Bertrand

O Livro "Vazios da Escrita" encontra-se, também, na Livraria Bertrand do 
Centro Comercial Dolce Vita Tejo





Centro Comercial Dolce Vita Tejo





Uma Imagem de Pedro Espírito Santo

Um Livro para férias?! Também... 
Obrigada, Pedro pela excelente imagem com que me presenteou.