Bolero!




Fecho os olhos
Oiço a música
Ela em mim cresce, floresce
Bolero!

O som levemente perscrutado pelos meus ouvidos
Segue na direção do meu cérebro e este apenas o dirige para o meu corpo
Uma vez mais, Bolero!

De olhos vendados e sentidos apurados, Bolero fecunda-me a Alma
Invade-me o corpo e dele faz o seu palco, o seu recinto de melodia
Com ele os meus braços acenam suavemente como asas de borboletas
Que espantam o vento, mas não a ventania… é tudo muito suave… a música toca

Toca ainda no seu estado mais puro, as batidas são delicadas, por isso o corpo dança
Balança com pés de veludo, sem machucar, sem esvoaçar
A batida aumenta, os sons esventram-me o corpo, e nele tudo estremece
Os sentidos tendem a explodir, a música força-me a sentir
É uma vez mais, Bolero!

O delicado passa a excessivo, entro em erupção, entro em completo transe, explosão
A música torna-se insolente, descarada, metediça, e sem licença pedir, penetra-me no corpo e dele faz o seu coito, o seu prazer… sentir, apelar e saborear o que é bom de ouvir…. Bolero!

Sim, Bolero de Ravel, a balada que aumenta o prazer de sentir ao ouvir tamanha melodia. 


Ana Mascarenhas

Ana Mascarenhas na RDS Lisboa

Ana Mascarenhas esteve na RDS Lisboa para falar sobre o seu próximo Livro "Os Limites do Mal".





No decorrer da conversa entre quem é a Ana Mascarenhas como Mulher e o que faz em Angola, Ana Mascarenhas leu um poema de sua autoria intitulado "Sou Lisboa!"


Sou cidadã do mundo!
Mas hoje choro!

Choro porque sei irei em breve deixar novamente a minha Lisboa

Lisboa que me viu nascer
Lisboa que me viu crescer
Lisboa que me viu florescer
Lisboa que me viu amar
Lisboa que me viu parir
Mas, também, Lisboa que me viu morrer

Hoje choro!
Choro por deixar a minha Lisboa da forma como tenho que deixar
Choro por deixar a minha Lisboa que tanto Amo
Choro por deixar a minha Lisboa, a minha história, a minha Vida, também

Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
E não deixo de Amar cada canto por onde passo
Cada recanto por onde ando
Cada pessoa que trespasso
Cada cultura que aprendo
Mas acima de tudo não deixo de Amar também a Minha Lisboa

A terra que me viu nascer, aquela em que me mataram a Alma
Mas também aquela em que dela faço a Fénix renascida das cinzas

Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
Mas acima de tudo sou Lisboa!


Ana Mascarenhas





A Equipa
Sandra Brazinha e Carlos Pinto Costa



Ana Mascarenhas na RDS RADIO 87.6 FM



Os Limites do mal…

Este livro retrata a vida de uma mulher casada, mãe de dois filhos e, que um dia se apaixonou pela vida. Apaixonou-se de tal modo pela vida que quis segui-la de acordo com os seus princípios, sendo leal a si mesma, mas, ao tomar essa decisão, criou danos colaterais e cruelmente foi julgada de uma forma tão acutilante quanto agoniante, quer pelo marido, quer pelos próprios filhos.

É um livro escrito na primeira pessoa, identidade que a autora já nos habituou, refletindo um passado presente, mas com a certeza, porém, de que o futuro sendo incerto é tão certo como a morte.

Ana Mascarenhas nasceu em Lisboa no dia 28 de Julho de 1969. Trabalha há mais de 20 anos na área das Tecnologias de Informação e Comunicação. Empreendedora na área da gestão hoteleira abraçou um projeto ao qual dedicou, também, parte do seu tempo. No entanto, a sua formação académica pauta-se pela área das Letras. Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos e Minor em Estudos Literários e Artísticos e com uma Pós-Graduação em Gestão de Empresas dedica-se, igualmente, à escrita, leitura e agora muito recentemente, também à fotografia.

Na década de 90 participou ativamente para a já extinta revista “Cérebro, escrevendo artigos sobre Software de Gestão.

Ana Mascarenhas foi à RDS Lisboa, no dia 11 de Setembro, 6ª feira entre as 16 e as 17 horas, falar sobre o seu amor pela escrita e sobre o seu próximo livro "Os Limites do Mal", e também pela sua paixão pela fotografia.
Pode ouvir em 87.6 FM ou em  www.rds.pt

Palavras Prévias - Os Limites do mal...





Este livro retrata a vida de uma mulher casada, mãe de dois filhos e, que um dia se apaixonou pela vida. Apaixonou-se de tal modo pela vida que quis segui-la de acordo com os seus princípios, sendo leal a si mesma, mas, ao tomar essa decisão, criou danos colaterais e cruelmente foi julgada de uma forma tão acutilante quanto agoniante, quer pelo marido, quer pelos próprios filhos.

É um livro escrito na primeira pessoa, identidade que a autora já nos habituou, refletindo um passado presente, mas com a certeza, porém, de que o futuro sendo incerto é tão certo como a morte.

Este livro, aliás, na sequência do último, "Silêncio Denunciado" é um grito de alerta para todas as mulheres que sofrem de violência doméstica. De salientar que a violência doméstica não se prende apenas e só com o ato físico em si, prende-se também com a violência emocional que mais não é do que a sequência e consequência da violência física.

Não é um livro fácil de escrever, até porque tenho que (re)visitar memórias ainda frescas que continuam a magoar quem escreve e quem lê... quem as viveu já nada sente, tal foi e é a dor que conseguiu anestesiar todo e qualquer sentimento, incluindo, matar a capacidade de voltar a  Amar...

[...]

Coloquei as chaves à porta. Tinha acabado de fazer uma viagem de cerca de 7 horas. Estava cansada, apenas queria tomar um banho e ir tratar de toda a papelada que necessitava de tratar para depois descansar. Mal entro vejo-o sentado, com aquele ar carrancudo, com ar de poucos amigos. Depois da minha mãe sair, porque foi ela que me foi buscar ao aeroporto, tentei cumprimentá-lo, mas em vão. Dirijo-me à sala de jantar e vejo a mesma cheia de álbuns fotográficos, cheia de coisas em cima da mesa. Questionei o porquê de tamanha desarrumação e enquanto questionava dirigia-me para junto dele. Foi então que do nada senti um soco seguido de estalos, murros, derrubando-me por completo no chão. Sem perceber ao certo o que se estava a passar, tentei defender-me ao máximo da força bruta que pairava em cima de mim, tentava proteger a cara dos murros, mas eles encontraram outras partes do corpo, o pescoço, as mãos, os braços, as pernas, as costas… tudo. Tentei escapar e da boca só me saía, amo-te, para, amo-te… nunca te fiz mal, eu amo-te, para. Numa das minhas tentativas de fuga consegui fugir para a rua e gritei o mais que pude por socorro. Veio uma vizinha em meu auxílio, mas ele apenas dizia que eu estava louca, para não ligar que eu estava louca e precisava de ser medicada. Supliquei por tudo, para ela não me abandonar, pedi-lhe ajuda, socorro, implorei que não me deixasse ali, que não me abandonasse. Ela veio junto a mim e levou-me para dentro do seu carro. Foi a minha salvação!

Não parei de pedir desculpa. Desculpava-me por tudo o que estava a fazer passar a uma pessoa que mal conhecia, a minha vizinha. Sentia-me envergonhada, completamente humilhada, sentia-me perdida e sem saber o que fazer, o que pensar.

A meu pedido, a minha vizinha deixou-me num centro comercial, um local onde estivesse muita gente, porque entretanto e através do telefone da minha vizinha telefonei para a minha mãe, para ela ir ter comigo. Fiquei sem telefone, ele foi literalmente esmagado nas minhas mãos e depois atirado para o chão.

Mal entrei no centro comercial senti-me diferente, tudo me era estranho, a vida em si tinha desabado e nem ela fazia sentido, não consegui olhar ninguém de frente, tal era a vergonha, tal era o medo que soubessem que eu, uma mulher independente, do século XXI, levou uma tareia e nem sequer se soube defender, por isso, envergonhei-me de tal ato, por ser tão independente numas coisa e tão dependente noutras, a proteção da família a qualquer preço. [...]

Ana Mascarenhas

(In)Confidências

É apenas um livro...
É apenas uma vida...
É apenas...


Prefácio do Livro (In)Confidências

Prefácio ao livro (In)Confidências de Ana Mascarenhas




Nunca conheci (pessoalmente) Ana Mascarenhas, que não fosse pela leitura de duas das suas obras e através de comentários seus, vertidos sobre as minhas notas insertas no meu perfil do Facebook. E, devo dizer, com toda a verdade e propriedade, que os seus comentários me foram valiosíssimos no contributo que deram para a melhoria da minha escrita poética no uso que faço do pseudónimo Miguel Faia, sob o qual me atrevo, ainda que a medo, a escrever este prefácio, a cujo pedido com alguma relutância, acedi, por me julgar incapaz de o fazer.

Foi na qualidade deste pseudónimo – Miguel Faia – que a autora me endereçou tão honroso convite para que lhe prefaciasse a sua obra autobiográfica, onde me encontrei, com ela – com a vida dela – que se dispôs partilhar com o público. Um público sempre difícil de conhecer e avaliar, pelo julgamento que faz de nós, quando com ele ousamos dividir aquilo que durante uma vida pensámos e exigimos apenas nosso, sem intrusos pelo meio; aquilo que, quantas vezes, permaneceu fechado a sete chaves no mais íntimo de nós. 

HONRA, à coragem deste MULHER – ESCRITORA que tange a alma do leitor, mesmo a daquele que a tem mais empedernida e que se julga inviolável aos sentimentos alheios e imbatível nas suas decisões de granito de não se deixar envolver e enlevar pela escrita – por uma escrita em que a sensibilidade feminina é notória em todo o seu percurso, mas também firme nas suas decisões – que feriu (no bom sentido) profundamente a minha alma com tão nobre, sentida e firme partilha. HONRA à coragem desta MULHER – ESCRITORA que dá a cara a um público desconhecido que hesita quantas vezes em nos ler, mas que perderá uma excelente oportunidade na ausência da leitura deste livro de Ana Mascarenhas, uma magnífica obra autobiográfica.

(In)Confidências é o auto retrato duma mulher corajosa em todos os quadrantes da sua vida, que aqui se dá, mais uma vez, a conhecer. Uma escritora de coragem e de talento que escreve como respira, que escreve com a força da (sua) vida.

O acto de escrever sobre si e de si, desta escritora, é de coragem e afigura-se-me como um difícil empreendimento, porque é indizível o que senti ao ler o manuscrito desta sua obra. A partilha pública da sua vida, desde os íntimos pormenores, àqueles que nos parecem de menor relevância, mas que são tão ou mais importantes que os primeiros, enchem-nos de uma certeza evidente e absoluta: esta MULHER – ESCRITORA, de força férrea, que põe na sua obra a verdade da sua vida, num momento em que todas as certezas lhe ruíam por terra, sai inquebrável e invencível, qual iceberg que não se desfaz pelas mudanças climatéricas constantes a que o planeta terra está sujeito nesta constante degradação.

Obra repleta de sensações e inquietações, as (In)Confidências de Ana Mascarenhas têm alma, são palavras sentidas, nuas e cruas, palavras de verdade e com verdade que não deixam insensível à sua leitura o mais duro e empedernido coração. MULHER – ESCRITORA, MULHER – CORAGEM, sem fronteiras no pensar e no dizer que a não inibe de tornar público o que vivenciou, o que passou, o que sentiu num mais ou menos longo período em que a catástrofe nacional de maus governos constantes a atiraram para o mundo do desemprego, atrevo-me a dizer, um “mundo sem fronteiras”, ou antes, um mundo em que as fronteiras desse mundo (des)governado se dilatam para lá dos limites do impensável, que a não coíbe de dizer o que sente pondo o dedo na ferida e afrontando responsáveis de certos actos contra si e os seus cometidos.

A coragem desafrontada de dizermos sempre o que pensamos, a verticalidade que nos distingue dos demais, daqueloutros que estão além da vulgaridade, porque destes últimos se torna desperdício falarmos, duplica-nos o valor, redobra-nos a humildade mas a persistência audaz em continuarmos não esmorece; e o mais nobre sentimento que despertamos nas consciências daqueles que nos escutam, que nos leem, que fazem de nós julgamentos justos, são os melhores louros que podemos colher. Terá sido isto, tenho a certeza, que a escritora Ana Mascarenhas sentiu, que Ana Mascarenhas doravante sentirá sempre que a sua veia criadora fluir para o nascimento de uma nova obra, de um novo filho, não gerado no ventre mas concebido na vontade e orientado pelas vozes do coração e da razão.

Teria sido, porventura, mais fácil para mim, falar sobre o seu estilo, analisar por dentro a sua vasta obra autobiográfica, qualifica-la com uma dúzia de adjectivos, mais ou menos bem elaborados a enfeitarem um belo discurso. Não que a obra o não mereça e não lhe fazia favor absolutamente nenhum: nem à obra nem à autora. Mas isso é o banal numa opinião literária, ou “crítica literária”, como soe dizer-se. Mas não falaria eu, não escreveria eu, com a verdade do coração; falaria com a verdade da razão. Numa obra em que o coração se expôs, se expõe e se sobrepõe à razão, seria cometer injustiça, para com a obra e a autora, falar do seu estilo literário – quando ele é branco e flui com a naturalidade com que a água cristalina corre! Fico, na certeza, de uma escritora que merece figurar nos escaparates nacionais e ombrear com os melhores escritores. Aqueles que verdadeiramente o são!

Enfim… deixo ao leitor o franco sentimento que me despertou esta obra e um conselho e desafio: prove-me que não tenho razão.


Miguel Faia (poeta)

Novo Acordo Ortográfico

Publicação na Revista Nº2 "a Chama folhas poéticas"



Novo Acordo Ortográfico

O Novo Acordo Ortográfico para além de ser uma norma é, antes de mais, uma forma de afirmação sobre a identidade de uma língua.

Ao contrário do que muito se diz e escreve sobre esta matéria, o Novo Acordo Ortográfico nada tem a ver com a perda de identidade ou a aproximação ao Brasil. Antes pelo contrário, reforça a identidade de uma língua e, não de um país, como muito se escreve, e, reforça, igualmente, a língua e a sua única variante nos quatro cantos do mundo, pois, quanto mais pessoas falarem, escreverem e lerem em português, mais rapidamente ela se difunde e poder-se-á tornar a língua oficial de um determinado país. Assim, foi e é, também, através desta norma que a língua portuguesa se tornou a quinta língua mais falada em todo o mundo.

O Novo Acordo Ortográfico visa, ante de mais, grafar de forma coerente a palavra em concordância com a dicção da mesma.

Tornar-se-ia, imprescindível criar mais variantes, para além da variante português do Brasil, dever-se-ia criar outras variantes como, a variante português de Angola, a variante português de Moçambique e, assim por diante, pois, como escrevi, tornar-se-ia mais fácil fazer da língua portuguesa a língua oficial de cada país. Assim como existe a língua inglesa de U.K, a língua inglesa dos E.U.A e, assim por diante, em Portugal, também existe as suas variantes, infelizmente e, até então, apenas uma, a do Brasil, ou seja, é isto que chamamos as variantes de uma língua.

Se tivermos em linha de conta que, a língua portuguesa não é de Portugal, mas, de quem a fala, tornar-se-á mais fácil a compreensão sobre esta temática das variantes. Se a língua portuguesa fosse apenas de Portugal, seria apenas escrita, lida e falada em Portugal e por portugueses, ora, não é esse o caso, pois, a mesma é lida, escrita e falada por pessoas também, não portuguesas e, igualmente, por portugueses que habitam noutras partes do globo. Assim, a língua portuguesa é de todos a que a falam, lêem e escrevem no seu exato momento.

Faço uma analogia com os livros: Os livros que escrevi foram meus até ao momento em que foram publicados, a partir do momento em que os publiquei, deixaram de ser meus para serem de quem os lê. Com a língua portuguesa o caso é semelhante, logo, a língua portuguesa é de quem a fala, de quem a lê e de quem a escreve e, não apenas de um país.

Em relação ao facto, das pessoas menos informadas afirmarem que, o Novo Acordo Ortográfico revela uma perda de identidade e uma aproximação ao Brasil, nada tem de verdade, passo a explicar:
Primeiro: Há muito que deixámos de escrever a palavra “batizado” sem a consoante (-p) ou, até, a palavra “Vitor” sem a consoante (-c) e, nunca ninguém contestou. Se soubermos que as únicas consoantes que “caem” são a (-c e a -p) e, apenas quando não são pronunciadas, está meio caminho andado para uma plataforma de entendimento sem falsas especulações. Obviamente que, outras alterações há, como grafar em minúsculas os dias da semana ou até os meses, mas, pelo que tenho lido e ouvido, esta perda de consoantes é a que tem suscitado maiores dúvidas, logo, más interpretações por as pessoas não estarem devidamente informadas. É muito fácil apontar, é muito fácil dizer: não concordo, no entanto, torna-se imperativo dizer porque é que não se concorda e, quando se explica o porquê dessa não concordância convém, antes de mais, validar a mesma com base em factos e, não apenas em (des)informação.
Por exemplo: a palavra “facto” continua a grafar-se em Portugal com a consoante (-c), isto porque, a mesma é pronunciada, já no Brasil e, por a mesma não ser pronunciada, a palavra correspondente ao mesmo significado é a palavra “fato” sem a consoante (-c). Outro exemplo é a palavra “fato” sem (-c) que, continua a ser grafada em Portugal sem o (-c) por a mesma não ser pronunciada, no entanto, no Brasil a palavra com o mesmo significado é “Paletó”. Como facilmente se pode constatar, em nada nos aproximamos ao Brasil, apenas criamos normas de grafia de acordo com a dicção de cada país.

Fernando Pessoa escreveu:
“A minha pátria é a língua portuguesa”

Esta frase aparentemente complexa, acaba por ser simples. Fernando Pessoa afirma que, a sua pátria não é Portugal mas, a sua língua, independentemente se está em Portugal ou, se é português, neste caso, foi (é) português.
Esta frase refuta também, afirmações como tenho lido e ouvido que, estamos a esquecer os nossos poetas, antes pelo contrário, estamos a dar razão ao que este grande homem da geração “Orpheu” em tempos já afirmou. A sua pátria é a sua língua, é a língua que no exato momento fala, escreve e ouve.

Muito mais haveria para explicar sobre a evolução de uma língua, através da sua rápida difusão histórica. Por isso e, como costumo dizer… a única constante é a mudança, há que mudar para evoluir…



Ana Mascarenhas

"Vazios da Escrita" na Livraria Bertrand

O Livro "Vazios da Escrita" encontra-se, também, na Livraria Bertrand do 
Centro Comercial Dolce Vita Tejo





Centro Comercial Dolce Vita Tejo





Uma Imagem de Pedro Espírito Santo

Um Livro para férias?! Também... 
Obrigada, Pedro pela excelente imagem com que me presenteou.




"Silêncio Denunciado" na Bertrand On Line

O Livro Silêncio Denunciado já se encontra disponível na Bertrand On Line






O livro Silêncio Denunciado é um romance, mas, e, como tenho referido várias vezes, não é um romance cor-de-rosa, aquele que nos faz sonhar, aquele que nos faz brilhar, aquele que nos atrai pelos seus finais felizes, não! Antes é um romance interventivo. Um romance que nos faz chorar ao invés de sorrir, que nos faz pensar e também refletir.

É um livro que revela ou melhor, denuncia práticas abusivas de várias sociedades, de vários países, de várias culturas, de várias gentes, de várias religiões, crenças e idades, enfim, é um livro que denuncia um mundo que se diz globalizado. Pergunto: Globalizado por quem? Pelo quê? De que forma? À custa do quê ou à custa de quem? Não sei! E, por não saber, achei que tinha o dever de acusar revelando vários males que se intitulam em determinadas sociedades de culturais, outras de religiosas, outras ainda apelidam-se assim por questões puramente económicas, encobrindo a realidade, a natureza humana, por isso, denuncio de forma acutilante, se assim o entenderem, o que acho deve ser, também, uma forma de literatura, aquela que intervém e que chama à razão.

"Silêncio Denunciado" na Wook

O Livro Silêncio Denunciado já se encontra disponível na Wook



Sinopse
O livro Silêncio Denunciado é um romance, mas, e, como tenho referido várias vezes, não é um romance cor-de-rosa, aquele que nos faz sonhar, aquele que nos faz brilhar, aquele que nos atrai pelos seus finais felizes, não! Antes é um romance interventivo. Um romance que nos faz chorar ao invés de sorrir, que nos faz pensar e também refletir.

É um livro que revela ou melhor, denuncia práticas abusivas de várias sociedades, de vários países, de várias culturas, de várias gentes, de várias religiões, crenças e idades, enfim, é um livro que denuncia um mundo que se diz globalizado. Pergunto: Globalizado por quem? Pelo quê? De que forma? À custa do quê ou à custa de quem? Não sei! E, por não saber, achei que tinha o dever de acusar revelando vários males que se intitulam em determinadas sociedades de culturais, outras de religiosas, outras ainda apelidam-se assim por questões puramente económicas, encobrindo a realidade, a natureza humana, por isso, denuncio de forma acutilante, se assim o entenderem, o que acho deve ser, também, uma forma de literatura, aquela que intervém e que chama à razão.

Vídeo do Lançamento do Livro "Silêncio Denunciado"

O Vídeo do Lançamento do Livro Silêncio Denunciado já se encontra disponível na íntegra. Basta clicar no lado direito do blogue, na opção "Canal YouTube de Ana Mascarenhas"  e, selecionar a opção "Vídeos", depois, é so escolher...

Ou, poderá clicar no link em baixo das imagens e ver e ouvir o evento na sua totalidade. Obrigada!








 

Sessão de Autógrafos

Sessão de Autógrafos do Livro "Silêncio Denunciado"






Discurso do Lançamento do Livro "Silêncio Denunciado"



Boa tarde!

Em primeiro lugar quero agradecer a Vossa ilustre presença. Agradecer, igualmente, ao meu editor e amigo, Diego e, como não podia deixar de ser, agradecer ao Miguel Real por ter aceitado apresentar o livro Silêncio Denunciado. Agradeço, também, ao Hotel Real Palácio pela cedência deste maravilhoso espaço que nos permite estar hoje, aqui. Por isso, Obrigada!

O livro Silêncio Denunciado é um romance, mas, e, como tenho referido várias vezes, não é um romance cor-de-rosa, aquele que nos faz sonhar, aquele que nos faz brilhar, aquele que nos atrai pelos seus finais felizes, não! Antes é um romance interventivo. Um romance que nos faz chorar ao invés de sorrir, que nos faz pensar e também refletir.

É um livro que revela ou melhor, denuncia práticas abusivas de várias sociedades, de vários países, de várias culturas, de várias gentes, de várias religiões, crenças e idades, enfim, é um livro que denuncia um mundo que se diz globalizado. Pergunto: Globalizado por quem? Pelo quê? De que forma? À custa do quê ou à custa de quem? Não sei! E, por não saber, achei que tinha o dever de acusar revelando vários males que se intitulam em determinadas sociedades de culturais, outras de religiosas, outras ainda apelidam-se assim por questões puramente económicas, encobrindo a realidade, a natureza humana, por isso, denuncio de forma acutilante, se assim o entenderem, o que acho deve ser, também, uma forma de literatura, aquela que intervém e que chama à razão. 

Vou por isso, começar por Vos ler algo que em tempos comecei a escrever, mas, apenas terminei agora, há poucos dias, escrevi o que me impressionou, o que ainda me afeta e perturba bastante. Um texto que reflete um pouco o teor do livro Silêncio Denunciado mas, na versão masculina. 


Nasci em Londres e tenho apenas oito anos.
Hoje fui com o meu pai ver uma luta de cães.
Não sei qual o seu entusiasmo, o que ele sente ao ver dois animais a debaterem-se pela vida. Só sei que sinto o cheiro da dor, o odor do sangue… apetece-me vomitar e, por momentos julguei que o vómito ganhara o seu dia, mas, ainda fui a tempo de travá-lo.
O meu pai gritava euforicamente como se uma luta entre dois indefesos animais fosse a única razão da sua alegria.
Queria à viva força compreender este mundo de atropelos em que os adultos instigam a violência e fomentam gratuitamente esse estado de espírito, como se fosse um alimento da Alma, como se fosse o saciar da fome.
Juro! Juro que tentei percebê-lo, a ele e a tantos outros que, pelos mesmos ou semelhantes motivos ali estavam. Infelizmente, não compreendi. Ainda me questionei se não era a minha tenra idade que me limitava de algum modo essa total compreensão sobre os adultos, mas, se fosse, então, quereria ser eternamente criança, pois, esse mundo assusta-me, aterroriza-me.
Acordo destes pensamentos quando oiço grunhidos e vejo os animais a sangrarem e a agredirem-se brutalmente instigados pelos seus próprios donos. Sei que apenas um será vencedor e choro. Choro por sentir não só as dores de um, mas as dores de ambos. Sinto a minha pele a arrepiar-se, dói-me o corpo, mas, acima de tudo, dói-me a Alma.
Sou filho de gente má, serei eu mais tarde, igualmente, mau? Fecho os meus olhos! Quero pelo menos acabar com um dos meus cinco sentidos, a visão. Assim, pelo menos, apenas oiço e sinto através do cheiro e da dor, tateio o sangue que me salpica para a boca, colocando apenas a visão como sentido ausente no meio de tanta crueldade e confusão.
O jogo acabou! Não sei quem ganhou ou perdeu!
Apenas sei que uma luta não só alimentou os bolsos desta gente como, também, alimentou as suas vergonhosas Almas, as suas tristes vidas.
Chegámos a casa e nada disse durante a viagem de regresso. O meu pai falava alto, gargalhava e partilhava comigo alguns momentos sobre a luta de cães através de pequenos comentários. Queria fazer de mim um homem, dizia ele. Estes eventos fariam de mim um homem, não um maricas, estas lutas que o entretinha nas horas vagas seriam, também elas, o meu entretenimento, dizia o meu pai, uma vez mais.
Eu calado e amedrontado ouvia sem nada manifestar. No fundo era o meu pai, aquele que me veste, alimenta e me dá um teto, logo, o meu dever será respeitá-lo não só enquanto pai, mas, também, por ser mais velho. É minha obrigação agradecer a vida que me deu, a existência que me dá.
Adormeço a pensar neste dia, naquelas horas que deveriam parecer a eternidade para aqueles animais e, sonho…


Estou no meio de um ringue com um outro rapaz. Parecia ter a mesma idade que eu, a estatura era semelhante e, curiosamente, estava também ele vestido com uns calções, muito parecidos com os meus. Olho à minha volta e vejo no rapaz o meu espelho. Assustado mas sem o querer demonstrar, colocava a sua agressividade no centro da sua defesa. Não conseguia perceber porque nos encontrávamos ali, apenas me lembrava da luta de cães, dos aplausos dos adultos, do dinheiro a circular, das gargalhadas, dos gritos e nomes… e, por momentos, revejo-me na pele desses pobres e indefesos animais.
O meu pai do outro lado do ringue olhava-me instigando-me à luta como forma de diversão. De repente senti um empurrão. Era o meu espelho, o outro rapaz que do nada iniciou uma luta comigo. E, eu sem saber porquê acatei os seus empurrões, os seus braços de ferro, o seu peso sobre o meu corpo. Queria livrar-me dele, queria perceber o porquê desta gratuita agressão, mas não consegui. Encolhi-me e tapei os ouvidos para não ouvir os gritos, os aplausos, a alegria e a euforia que se soltavam dos adultos. Encolhi-me mais ainda para não sentir a dor dos murros que iam de encontro a mim. Chorava, queria sair dali. O ar começara a faltar-me, os porquês atropelavam-se sem resposta e o meu pai gritava comigo sem eu saber, uma vez mais, porquê.




 Dou um pulo da cama e acordo suado, imundo em urina. Acordei de um sonho da noite porque o vivi de dia, foi o reflexo do meu dia anterior. Tentei novamente adormecer, mas não consegui.
A manhã acordou e com ela o meu pai também. Disse-me que hoje o dia seria diferente, único e inesquecível. Disse-me para vestir uns calções e besuntar o corpo com óleo. Não entendi o porquê deste pedido, mas sem discussão acatei curioso. Sentámo-nos à mesa e começámos a comer um verdadeiro pequeno-almoço britânico. Precisava de forças, dizia o meu pai. Terminámos e saímos. Fomos diretos para o carro e partimos. Não sabia para onde o meu pai me levava, talvez, novamente para aquele celeiro antigo e com cheiro a morte, onde estivemos ontem para assistir a mais uma luta de cães. Se calhar desta vez seria de galos. Sim, é verdade! O meu pai também já me levou a uma, e é muito semelhante, cruel e bárbaro.
Chegámos! Chegámos, efetivamente, a um celeiro, aparentemente abandonado… saímos do carro e lá fomos os dois. Entrámos e vi algo muito semelhante ao dia anterior. Muitos homens, muito dinheiro a circular, muitos berros e aplausos, no entanto, notei algo de diferente, havia muitas crianças, mais do que o habitual, havia também muitas mulheres, talvez as mães daquelas crianças. Quando nos aproximámos do ringue, fiquei estupefacto. Vi duas crianças de idades semelhantes à minha a lutarem feitos animais. Uma luta entre dois pequenos seres racionais e, estimulada pelos grandes animais, também eles, racionais… dizem eles…
O meu pai chama-me e diz-me: Vai! É a tua vez! Dá-lhe com força. Besuntaste-te bem, certo? Assim ele terá mais dificuldade em agarrar-te. Apostei tudo em ti, não me desiludas. Sairás daqui um homem e, com o dinheiro que aqui ganharmos poderás comprar tudo o que quiseres.
Estou sem palavras! O meu pai! O meu próprio pai! Como é possível?!
Agora tudo está claro para mim! O meu sonho não foi em vão! O meu pai acordou esta manhã e disse-me que este seria um dia diferente. Efetivamente é um dia diferente. É o dia em que percebi que o meu progenitor não é mais do que isso, apenas um progenitor. Efetivamente percebi que devo respeitar o meu pai, mas, para eu o respeitar ele deve, igualmente, saber respeitar-se e, para isso deverá respeitar-me, não só como filho, mas também como criança.
Decidi colocar um ponto final àquela ridícula situação. Entrei para o ringue e calmamente dirigi-me para o meu suposto adversário. Pisquei-lhe o olho e ele rapidamente percebeu onde queria chegar. Demos um aperto de mão e virámos as costas aos adultos. Saímos do ringue e dirigimo-nos para fora do celeiro. Lá fora, respirámos o ar que nos alimenta e sentimos a liberdade de sermos crianças.
Decidimos não lutar para alimentar o ego daqueles que se intitulam nossos pais, mas apenas são monstros vestidos de pais. O ser humano ultrapassou todos os limites do bom senso e da razoabilidade. Nós seremos os adultos de amanhã, logo, jamais permitiremos que os adultos de hoje façam de nós os monstros que eles hoje são.
Corremos e corremos. Corremos até mais não. Sempre, sem parar, até as forças nos faltarem. E, quando parámos decidimos os dois ir viver para bem longe dos nossos pais. Assim foi. Cedo crescemos, sem estudos ou mordomias, mas humanos nos tornámos, porque o pão nos faltou, a roupa também, o teto foi o céu e a cama foi a terra, mas a educação que a mãe natureza nos deu foi melhor que a que os nossos pais nos queriam dar.
Decidimos, assim, não ser o alimento dos seus egos e muito menos dos seus bolsos, mas, efetivamente, decidimos de igual modo, tornarmo-nos realmente ao que apelidamos de… humanos.

Ana Mascarenhas
02 Mai 12






 Nota:
Texto baseado num documentário que vi na televisão no dia 23 de Setembro de 2011. Um documentário que revelou, de facto, uma história passada em Inglaterra exibindo uma luta entre crianças fomentada pelos próprios pais. Foi nesse mesmo dia que comecei a escrever este texto, mas, e, como estava a escrever, igualmente, o livro Silêncio Denunciado, acabei por não o terminar. Terminei hoje, dia 02 de Maio. Agora que o livro vai ser lançado, a minha mente decidiu por breves momentos regressar às incongruências da vida, esta é mais uma, entre tantas… infelizmente… 



E, aqui está! Um texto que, como disse, é o reflexo do livro Silêncio Denunciado mas, na sua versão masculina. Espero que Vos tenha impressionado tanto quanto a mim. Que Vos tenha perturbado não só porque é real, acontece aos nossos olhos e ninguém faz nada, mas, porque, também, tem-se o desplante de aplaudir este tipo de práticas numa sociedade que se diz evoluída, afinal, Inglaterra não é tão longe assim. E, como esta, existem outras, muitas outras que todos sabem, veem, ouvem, mas… pergunto: Será que sentem?! Deixo a pergunta no ar… cada um responderá por si.

A todos os que aqui estão e, àqueles que gostariam de estar mas por razões várias não puderam, desejo um grande Bem Haja!

Antes de terminar gostaria apenas de fazer o meu último reconhecimento.
O meu agradecimento à minha família e ao meu falecido pai.
Obrigada!

Ana Mascarenhas

Entrevista sobre o Livro "Silêncio Denunciado"





Entrevista de Diego Martinez Lora a Ana Mascarenhas sobre o seu recente trabalho.
"Silêncio Denunciado"


1.      Como surge a ideia de escrever este seu último livro Silêncio Denunciado?

A ideia surge numa forma de repensar a literatura como figura interventiva. Há já algum tempo que comecei a ler os textos publicados nos dois últimos livros e denotei inconscientemente textos que denunciam algo que, na minha forma de estar na vida, são completamente irreais… se assim posso chamar…

2.      O que é que este livro traz de novo ou de particular comparativamente aos outros livros que já publicou?

Traz um tudo e um todo. Começa por ser uma única narrativa ao invés de várias como constam nos livros anteriores. No entanto, se eu refletir melhor, o livro Silêncio Denunciado também pode ser visto como tendo várias narrativas, uma vez que os seus capítulos, embora com um sequência lógica, revestem vários males das várias sociedades. E, é precisamente devido à sua sequência lógica que o livro Silêncio Denunciado acaba por fazer parte do universo literário romancista.

3.      Que novos desafios enfrentou ao escrever Silêncio Denunciado?

Alguns! O maior foi, talvez, a estrutura da obra em si. Sabia que queria escrever sobre todos os males que habitam no mundo, mas, sabia ser impossível, assim, acabei por dedicar-me àqueles que mais me tocam em particular, talvez pela forte presença, ainda, destes males nas várias sociedades. No entanto, também, não posso deixar de denunciar que, vestir o papel de uma personagem que se revê em várias foi o maior desafio. Queria que o livro fosse intenso, provocasse emoção e, ao mesmo tempo, não queria desenvolver muitas personagens, logo, teria que estruturar muito bem a obra, de forma a que o leitor quando a fosse ler, percebesse que uma única personagem poderia representar várias, sendo ela própria divisível através da procriação…por outro lado e, como é evidente, acabei por abraçar da(s) personagem (ns), aquela dor mais acentuada. Aquela que todos sabem que existe, mas calam…


4.      Como está estruturada a obra?

Como referi, a obra está estruturada por capítulos que antevê uma narrativa formada por uma sequência lógica na história apresentada. Cada capítulo representa um tema e, em cada tema pode ser facilmente identificado a origem da dor incluída no próprio tema. Ou seja, existem algumas particularidades na narrativa de cada capítulo, que antevê se o mesmo se passa, por exemplo, na Índia, na China, em África, Europa ou, em que Continente a atrocidade em si é mais (in)visível. Escrevi (in) porque, efetivamente, a atrocidade é visível, mas nós, humanos teimamos em torná-la invisível.




5.      Quais são os personagens principais de Silêncio Denunciado?

Eu diria que existem três grandes personagens principais: A mãe de Alma, a Alma e o pai adotivo de Alma. No entanto e, como referi anteriormente, a Alma representa em si várias mulheres das várias sociedades, incluindo, como é óbvio, a sua própria mãe que, apesar de ter sido lapidada foi quem deu corpo à obra…

6.      Qual é a distância (ou proximidade) entre a autora, a narradora e as personagens, uma vez que por vezes se tornam quase indistinguíveis nos sentimentos que expressam?

É natural que a distância seja praticamente nula na maneira de sentir, no entanto, e, devido à proximidade física ser o reflexo da distância geográfica, é natural que haja uma certa diferença, uma vez que estou apenas a descrever o que supostamente sinto, mas não sinto, porque não vivi, realmente, nenhuma das atrocidades reveladas na obra. Diria que, me aproximo como autora e narradora dos sentimentos mas, também, me distancio não só geograficamente, mas, porque apenas suponho sentir o que deveria sentir se vivesse o que narrei…

7.      Acha que aquilo que denuncia é claramente injusto e desumano aos olhos de todos?

Hesitei muito nesta resposta. Ao princípio pareceu-me bastante lógico responder afirmativamente. Afinal, somos humanos e a dor alheia faz-me (nos) doer, também. No entanto e, depois de refletir um pouco percebi que, se fosse claramente injusto e desumano aos olhos de todos, não haveria a necessidade desta obra ter nascido. É óbvio, claro e inequívoco que a justiça não é absoluta, a verdade também não, no entanto, existe um sentimento que é comum e atrevo-me mesmo a dizer, absoluto, é ele a dor, logo, sendo a dor absoluta, pese embora sentida de diversas maneiras em diferentes seres, o que é um facto é que não deixa de ser dor, assim, denunciar as atrocidades que determinados seres provocam em outros seres, mesmo aqueles que nada fazem mas sabem que existe, torna-se imperativo, caso contrário, esta obra não teria nascido…

8.      Em Silêncio Denunciado aparece quase todo o tipo de sofrimento por que passam muitas mulheres pelo mundo fora, descrito através das poucas personagens do livro, sem que se detenha muito com detalhes geográficos e históricos. Quer com isto dizer que o sofrimento é universal e que todos temos a nossa quota-parte de culpa nessa partilha silenciosa?

Sem dúvida! O sofrimento sendo um sentimento é único e universal, também. Todos temos a nossa quota-parte de culpa em todo e qualquer sofrimento alheio, no entanto, a ausência de detalhes prende-se, essencialmente, com o facto de eu querer chamar à razão o que é realmente importante. Receei, confesso, que, os detalhes aflorassem a obra, tornando-a menos dura e, o que pretendi foi, precisamente, dar um murro no estômago, denunciar sem falsas modéstias um falso moralismo, sendo direta, assertiva e consistente.




9.      A sua definição de literatura tem vindo a mudar desde que começou a escrever os primeiros textos?

Sem dúvida! Pese embora a base esteja lá, o meu cunho pessoal seja indiscutivelmente inconfundível, o que é certo é que, a minha escrita tem-se revelado mais acutilante. Desafio-me a ser menos discreta, se é que algum o fui, pelo menos com as palavras, mas, acima de tudo, desafio-me a ser mais ofensiva sem ofender, agressiva sem agredir, desafio-me, inclusive, a provocar as palavras para elas abanarem mentalidades, ou seja, provocar no sentido de despertar, de desafiar o ser humano, a sua reputação, a sua imagem, tornando-o frágil, quebrável…
Encontrei na literatura não uma definição, mas, antes uma revelação, uma nova forma de agir, ser e estar… atuar interventivamente através da escrita foi o que descobri em mim sem procurar…

10.      Que novos projetos tem em mente?

Tantos e tão poucos! Muitos e nenhuns…
De facto, parece um paradigma o que acabei de escrever, mas, a realidade é que tenho estado imersa em vários projetos, nomeadamente, numa autobiografia, num livro de citações próprias, numa biografia de uma determinada personagem, num livro de poesia, mas… enquanto não concluir pelo menos um, posso dizer que estou absorvida em muitos e em nenhuns ao mesmo tempo e, também, tantos, porque de facto, são alguns, mas, poucos para o que pretendo ainda fazer…


11.      Que tipo de reação antevê dos seus leitores a este novo livro Silêncio Denunciado?

Esta é a pergunta mais difícil de responder. Não sei! Talvez uma reação semelhante às anteriores obras, uma vez que o meu cunho, como já referi, nunca esteve ausente… mas, acrescento que, a expectativa é alguma…