Daniela Santiago e Isabel Batata Doce
Com a escrita me acuso, me delato e inocento... Com a imagem denuncio sem palavras e me culpo em silêncio...
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Iceberg Angola - Responsabilidade Social
Embora o lucro seja um fator essencial para uma empresa sustentável, existem muitos outros fatores que preocupam as organizações. A preservação e o respeito pela sociedade são, cada vez mais, uma prioridade.
Apostar na responsabilidade social, promover a inserção social, assim como, ter uma intervenção direta no contexto sócio económico, auxiliando na resolução de possíveis problemas sociais e ajudando instituições a melhorar os seus serviços são, uns dos vários pilares em que esta obra se insere.
Para isso, apresento um caderno de patrocínios que tem como principal objetivo angariar fundos para aquisição de medicamentos, bens de primeira necessidade, roupa, brinquedos, produtos de higiene, entre outros, para os Musseques de Angola.
Iceberg Angola - Discurso de Apresentação
Boa tarde a todos(as)!
E, antes de começar o meu discurso, quero agradecer
a Vossa presença neste evento.
Um Obrigada a todos(as) por me apoiarem estando
aqui numa quinta feira ao final do dia, por apreciarem o meu trabalho, e por
gostarem desta nova faceta da minha Vida que, confesso, tardiamente descobri, por
isso e muito mais, o meu Obrigada!
Eu comecei a fotografar há cerca de 2 anos e não fazia a mínima ideia o que me esperava.
Não sou uma fotógrafa profissional, sou uma
perfeita amadora, mas, completamente apaixonada pelo que faço. Tudo o que
aprendi foi via youtube, muitos clicks fracassados e outros recheados de sucesso,
muito treino, persistência, mas acima de tudo, muita paixão e sede de querer
aprender sempre mais e mais…
Foi através de um convite de uma grande amiga minha
que entrei para estas lides fotográficas, entrei para um projeto de nome “VêSó”,
em Angola. Um projeto que visa, essencialmente, criar um registo fotográfico
dos bairros (musseques) de Angola, para que as gerações vindouras possam ter um
testemunho de como as gerações anteriores viviam.
Comecei com um telemóvel, depois com a câmara
emprestada da minha mãe, até que chegou a altura e decidi comprar a minha
primeira câmara fotográfica.
E, aos poucos, a minha paixão foi crescendo, e foi
crescendo numa direção:
Captar a essência humana, captar a dignidade
humana, captar momentos únicos e tão próprios de uma sociedade reduzida a pó, a
cinzas, captar a Alma de um povo sofrido, mas sempre com um sorriso nos lábios.
Nunca em momento algum, quando comecei nesta minha
“Era” dos clicks, pensei em publicar um livro de fotografia. Mas, o portfólio
foi crescendo, o registo fotográfico foi tomando proporções algo inimaginável
e, foi de um momento para o outro que nasceu a ideia de publicar algo que acho
merece ser partilhado.
Chamar o “Horror da Beleza” a um dos quadros ao
qual fiquei em 3ºlugar num concurso fotográfico, lançado pela petrolífera Total
foi, também, o mote que deu origem à pergunta: Porque não?
Porque acredito que, em todo o horror consegue-se
captar, também, a beleza.
O Livro “Iceberg Angola” revela, como a própria
palavra diz, a profundidade de um país, o outro lado de uma Angola que não se
vê a olho nu, é preciso saber observar, é preciso desafiar o medo ou o receio,
é preciso constatar de alguma forma que essa Angola ainda existe.
Criei uma capa que revela isso mesmo. Um menino que
esconde debaixo da sua cabeça o seu corpo (a outra Angola), a boca tapada por
uma água escurecida (o petróleo), orelhas a descoberto, porque podemos ouvir,
mas devemos ter cuidado com o que falamos. Perfeitamente (a)normal quando se
tem o síndrome da guerra.
Captar estes momentos, a vida de um povo sofrido, a
essência de um povo subnutrido, mas registar algo que quero acreditar ter os seus
dias contados. Quero acreditar que este testemunho em forma de livro seja visto
de uma forma crítica, mas construtiva, para que todos nós que fazemos parte
desta sociedade, desta aldeia grande a que eu chamo mundo, possamos mudar a
vida deste povo, a vida deste e de outros povos, porque não é só em Angola, não
é só em África, Ásia está cheia de pobreza recheada de miséria.
É impreterível que façamos algo, é indispensável
que as organizações acordem, é urgente que mudemos as nossas prioridades. Os
valores humanos estão a perder-se à velocidade da luz, o que importa é a
riqueza material, o que de facto interessa é a matéria, quando na realidade não
somos mais que meros peões à procura de algo comum. A felicidade!
A prova disso está nesta livro, crianças que nada
têm, mas nunca o sorriso lhes falta, pessoas que tudo lhes falta, mas não
perdem a esperança de ser felizes, fazem da dança o seu refúgio, dos seus
sorrisos as suas casas.
Sorriem, cantam e dançam à luz do céu sem estrelas,
com pés descalços de terra batida, atravessando oceanos de esgoto para irem à
única casa onde conseguem ter fé. Uma falsa fé, é certo, porque ainda há quem
se aproveite da desgraça alheia para enriquecer à conta, mas é assim que eles
são felizes, e porquê?
Porque uma nação começa com a educação e essa, essa
continua a não ser a prioridade de muitas nações.
E, mais não digo, estaria a desvendar algo que pode
facilmente ser visível através do livro “Iceberg Angola”.
Fiquem com o livro “Iceberg Angola” e apreciem o
que de belo deve ser apreciado mesmo que o horror ainda nos choque.
Bem hajam!
Ana Mascarenhas
19 Nov 17
Iceberg Angola - Prefácio
Entre o sonho e a
realidade
Entre a inverdade e a verdade
Entre a liberdade e a vontade
Sonetos veneram a meninice da terceira idade
Em desapego a velhice da mocidade
Quando as palavras que o vento leva já cá não estarão
A correnteza dos tempos e desvaneios da longa procissão
Novos entes nova canção nesta mesma Nação
A imagem em foto aqui continuará a cumprir com a sua missão
Para a memória colectiva de todos os irmãos
Quando acedi ao desafio convite, de Ana Mascarenhas, para em papel deixar a minha leitura/visão do material fotográfico que de forma muito compenetrada ela depositou em minhas mão e disse:
" Nelson quero que sejas tu a escrever o prefácio deste livro"... Dizia eu, não fazia noção da empreitada que me havia metido. Contudo, aqui estou idilicamente embriagado, entre palavras e frases a compor e dar sentido a tamanha responsabilidade de dar-vos a conhecer a presente obra.
Como ser indiferente num continente onde as cores quentes do dia-a-dia exalam os mais variados odores, onde o nosso olhar tateia sabores e amores que transportam o nosso imaginário para galáxias cósmicas que de regresso escalamos esta linda terra que é Angola. Em que o sorriso rasgado da criança comprometida com o futuro calcorreia, ainda, o lamaçal da chuva teimosa que lá mais distante fez crescer a fruta que a mãe zungueira comercializa para alimentar os seus. Onde o velho cidadão viu chegar, de todas as partes, compatriotas seus fugidos da guerra que protelou o porvir da Nação.
A sensibilidade e a necessidade de inserção de Ana Mascarenhas, enquanto estrangeira, para as coisas da terra leva- a a percorrer e registar para a posteridade, as mais diferentes realidades deste Pais....
O kandengue do sorriso único sem igual
A kindumba da zungueira que prende o olhar
A tez envelhecida do velho que anseia melhorar...
Para lá do crescimento, do surgimento de novas urbanizações e do asfalto, ainda, há uma realidade que urgentemente precisa ser revertida. E a fotografia com todo o seu poder, técnica, emoções e capacidade de registar para a posteridade não devera, nunca, usar filtros para somente exaltar o belo e ocultar o menos belo. E é com este olhar de cidadã, mulher, mãe, filha ou irmã que a neófita Fotógrafa Ana Mascarenhas percorre com a alma e o coração pedaços de nós. Que não escamoteadas, deverão servir de barómetro para o reunir de forças e juntos fazermos desta outra realidade, quanto antes, memórias passadas da nossa recente história.
Ana Mascarenhas que no campo literário dispensa qualquer apresentação tem no mercado cinco ou seis obras onde na primeira pessoa denuncia, nos mais variados estilos literários, a violência a segregação e demais atrocidades deste nosso Mundo.
Entre a inverdade e a verdade
Entre a liberdade e a vontade
Sonetos veneram a meninice da terceira idade
Em desapego a velhice da mocidade
Quando as palavras que o vento leva já cá não estarão
A correnteza dos tempos e desvaneios da longa procissão
Novos entes nova canção nesta mesma Nação
A imagem em foto aqui continuará a cumprir com a sua missão
Para a memória colectiva de todos os irmãos
Quando acedi ao desafio convite, de Ana Mascarenhas, para em papel deixar a minha leitura/visão do material fotográfico que de forma muito compenetrada ela depositou em minhas mão e disse:
" Nelson quero que sejas tu a escrever o prefácio deste livro"... Dizia eu, não fazia noção da empreitada que me havia metido. Contudo, aqui estou idilicamente embriagado, entre palavras e frases a compor e dar sentido a tamanha responsabilidade de dar-vos a conhecer a presente obra.
Como ser indiferente num continente onde as cores quentes do dia-a-dia exalam os mais variados odores, onde o nosso olhar tateia sabores e amores que transportam o nosso imaginário para galáxias cósmicas que de regresso escalamos esta linda terra que é Angola. Em que o sorriso rasgado da criança comprometida com o futuro calcorreia, ainda, o lamaçal da chuva teimosa que lá mais distante fez crescer a fruta que a mãe zungueira comercializa para alimentar os seus. Onde o velho cidadão viu chegar, de todas as partes, compatriotas seus fugidos da guerra que protelou o porvir da Nação.
A sensibilidade e a necessidade de inserção de Ana Mascarenhas, enquanto estrangeira, para as coisas da terra leva- a a percorrer e registar para a posteridade, as mais diferentes realidades deste Pais....
O kandengue do sorriso único sem igual
A kindumba da zungueira que prende o olhar
A tez envelhecida do velho que anseia melhorar...
Para lá do crescimento, do surgimento de novas urbanizações e do asfalto, ainda, há uma realidade que urgentemente precisa ser revertida. E a fotografia com todo o seu poder, técnica, emoções e capacidade de registar para a posteridade não devera, nunca, usar filtros para somente exaltar o belo e ocultar o menos belo. E é com este olhar de cidadã, mulher, mãe, filha ou irmã que a neófita Fotógrafa Ana Mascarenhas percorre com a alma e o coração pedaços de nós. Que não escamoteadas, deverão servir de barómetro para o reunir de forças e juntos fazermos desta outra realidade, quanto antes, memórias passadas da nossa recente história.
Ana Mascarenhas que no campo literário dispensa qualquer apresentação tem no mercado cinco ou seis obras onde na primeira pessoa denuncia, nos mais variados estilos literários, a violência a segregação e demais atrocidades deste nosso Mundo.
Ana Mascarenhas, nesta nova empreitada, inicia assim um novo trilhar na arte de bem fotografar e o de registar os momentos em imagens.
Ana Mascarenhas a Escritora
Ana Mascarenhas aqui e agora a Fotógrafa!
Convido-os a acompanhar e desvendar o que
vai para lá da ponta deste Icebergue através do olhar de Ana Mascarenhas
Nelson Silvestre
Nelson Silvestre
06 de Março de 2017
Iceberg Angola - Palavras Prévias
Tudo começou com um convite da minha Amiga Cátia para
me juntar a um grupo de fotógrafos profissionais e amadores que pretendiam
fazer o registo fotográfico dos bairros de Luanda, os musseques, para que as
gerações vindouras tivessem um testemunho visual de como as gerações anteriores
viviam antes da requalificação urbana chegar. Em Angola passamos por bairros
como o Sambizanga, o Rangel, o Cazenga, a Ilha e muitos outros, dentro e fora
de Luanda.
Este grupo de nome VêSó foi o maior impulsionador
pela minha paixão fotográfica.
Com a família VêSó cresci como pessoa, pois deram-me
a oportunidade de penetrar em musseques que até então era impensável entrar,
deram-me a oportunidade de conviver com gentes destes bairros, pessoas como
nós, que nada têm, mas estão sempre dispostas a mostrar o seu sorriso, crianças
que estão sempre prontas a pousar para a câmara, a brincar connosco e até
acompanhar-nos nas nossas saídas pelos bairros adentro.
Por isso, tenho que dizer um grande bem haja a esta
família, à família VêSó que, sem ela este livro não seria possível, sem ela eu
não teria aprendido tanto sobre fotografia, e sem ela não teria me apaixonado
por esta nova faceta que em mim descobri. Obrigada, Família VêSó!
Posso então assumir que me tornei uma Amante da Fotografia,
não sou profissional, antes pelo contrário, sou uma perfeita amadora, mas
traduzo a fotografia como uma forma de Arte. Obviamente que todos os fotógrafos
vêm a fotografia como uma forma de Arte, mas sei que os profissionais trabalham
a fotografia para que a mesma se aproxime ao máximo da realidade, uma espécie
de: “What you see is what you get”,
no meu caso eu sinto ser diferente, eu vejo a fotografia e trabalho-a da forma
como a vejo é certo, mas dou-lhe uma roupagem de acordo como a minha Alma
traduz a imagem. Não trabalho a fotografia de acordo com a realidade das cores
que elas estão no exato momento, por exemplo, trabalho com as cores que a
imagem me transmite no momento em que a tiro. É a forma como a vejo, como a
sinto e até como cheiro o local onde tiro a fotografia, tento de alguma forma
produzir todos os meus sentidos na edição da imagem, no momento em que tiro a
fotografia.
Isto para mim também é uma forma de Arte.
Por vezes questiono-me:
Existe Beleza no horror? Sim, infelizmente também
existe.
Ou, existe horror na Beleza? Claro, também existe e
uma vez mais, infelizmente.
O que pretendo dizer é que tento de alguma forma
extrair de toda a negatividade que existe em redor da imagem algo de belo,
porque quero acreditar que existe sempre algo de positivo dentro do negativo ou
do horrível, para não ser mais acutilante, mas de facto quero acreditar que
existe sempre, mas sempre algo de bom, de belo e de positivo dentro de toda uma
negatividade que envolve o ambiente por onde passo para tirar este tipo de
fotografias. Por isso, o nome, Iceberg.
O Iceberg mostra-nos apenas a ponta dele mesmo, o
belo e/ou o feio pode ser visível no imediato, à vista de todos, ou apenas ser
visto por quem quer realmente ver, penetrando nas entranhas do mundo, nas
profundezas do que está verdadeiramente escondido. Depende de quem vê, como vê
e de onde vê.
É isso, gosto de olhar com olhos de ver, observar
calmamente e até apreciar.
Gosto de fotografar gentes, costumes, a Alma destas
pessoas, o que elas traduzem, os hábitos, a força de vontade delas, o que elas
representam para a sociedade, gosto de fotografar o diferente, aquilo que
normalmente as pessoas não gostam de ver ou preferem olhar para o lado, porque
é mais fácil, porque, porque, porque, porque…
É uma espécie
de dicotomia, aquela que a vida habitualmente nos oferece e da qual já faz
parte do nosso mundo, e da Vida que insistimos muitas vezes Viver sem assumir,
ou seja, apenas existir.
Para Vivermos assumidamente temos que fazer a
diferença em algo, temos que deixar um legado, normalmente dizemos que os
filhos são o nosso maior legado, sim, é certo, mas… e os filhos daqueles que
nada têm? Pois é! Esses também são um legado, o legado de alguém que não pode ter
testemunho, por isso, há que fazer a diferença quando temos a hipótese, a possibilidade
e acima de tudo a vontade de fazermos dos filhos dos outros também um legado.
Este livro é para todos os que infelizmente não podem
usufruir desse legado, este livro é o legado dessas pessoas.
Ana Mascarenhas
24 de Janeiro de 2017
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