Com a escrita me acuso, me delato e inocento... Com a imagem denuncio sem palavras e me culpo em silêncio...
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Iceberg Angola - Discurso de Apresentação
Boa tarde a todos(as)!
E, antes de começar o meu discurso, quero agradecer
a Vossa presença neste evento.
Um Obrigada a todos(as) por me apoiarem estando
aqui numa quinta feira ao final do dia, por apreciarem o meu trabalho, e por
gostarem desta nova faceta da minha Vida que, confesso, tardiamente descobri, por
isso e muito mais, o meu Obrigada!
Eu comecei a fotografar há cerca de 2 anos e não fazia a mínima ideia o que me esperava.
Não sou uma fotógrafa profissional, sou uma
perfeita amadora, mas, completamente apaixonada pelo que faço. Tudo o que
aprendi foi via youtube, muitos clicks fracassados e outros recheados de sucesso,
muito treino, persistência, mas acima de tudo, muita paixão e sede de querer
aprender sempre mais e mais…
Foi através de um convite de uma grande amiga minha
que entrei para estas lides fotográficas, entrei para um projeto de nome “VêSó”,
em Angola. Um projeto que visa, essencialmente, criar um registo fotográfico
dos bairros (musseques) de Angola, para que as gerações vindouras possam ter um
testemunho de como as gerações anteriores viviam.
Comecei com um telemóvel, depois com a câmara
emprestada da minha mãe, até que chegou a altura e decidi comprar a minha
primeira câmara fotográfica.
E, aos poucos, a minha paixão foi crescendo, e foi
crescendo numa direção:
Captar a essência humana, captar a dignidade
humana, captar momentos únicos e tão próprios de uma sociedade reduzida a pó, a
cinzas, captar a Alma de um povo sofrido, mas sempre com um sorriso nos lábios.
Nunca em momento algum, quando comecei nesta minha
“Era” dos clicks, pensei em publicar um livro de fotografia. Mas, o portfólio
foi crescendo, o registo fotográfico foi tomando proporções algo inimaginável
e, foi de um momento para o outro que nasceu a ideia de publicar algo que acho
merece ser partilhado.
Chamar o “Horror da Beleza” a um dos quadros ao
qual fiquei em 3ºlugar num concurso fotográfico, lançado pela petrolífera Total
foi, também, o mote que deu origem à pergunta: Porque não?
Porque acredito que, em todo o horror consegue-se
captar, também, a beleza.
O Livro “Iceberg Angola” revela, como a própria
palavra diz, a profundidade de um país, o outro lado de uma Angola que não se
vê a olho nu, é preciso saber observar, é preciso desafiar o medo ou o receio,
é preciso constatar de alguma forma que essa Angola ainda existe.
Criei uma capa que revela isso mesmo. Um menino que
esconde debaixo da sua cabeça o seu corpo (a outra Angola), a boca tapada por
uma água escurecida (o petróleo), orelhas a descoberto, porque podemos ouvir,
mas devemos ter cuidado com o que falamos. Perfeitamente (a)normal quando se
tem o síndrome da guerra.
Captar estes momentos, a vida de um povo sofrido, a
essência de um povo subnutrido, mas registar algo que quero acreditar ter os seus
dias contados. Quero acreditar que este testemunho em forma de livro seja visto
de uma forma crítica, mas construtiva, para que todos nós que fazemos parte
desta sociedade, desta aldeia grande a que eu chamo mundo, possamos mudar a
vida deste povo, a vida deste e de outros povos, porque não é só em Angola, não
é só em África, Ásia está cheia de pobreza recheada de miséria.
É impreterível que façamos algo, é indispensável
que as organizações acordem, é urgente que mudemos as nossas prioridades. Os
valores humanos estão a perder-se à velocidade da luz, o que importa é a
riqueza material, o que de facto interessa é a matéria, quando na realidade não
somos mais que meros peões à procura de algo comum. A felicidade!
A prova disso está nesta livro, crianças que nada
têm, mas nunca o sorriso lhes falta, pessoas que tudo lhes falta, mas não
perdem a esperança de ser felizes, fazem da dança o seu refúgio, dos seus
sorrisos as suas casas.
Sorriem, cantam e dançam à luz do céu sem estrelas,
com pés descalços de terra batida, atravessando oceanos de esgoto para irem à
única casa onde conseguem ter fé. Uma falsa fé, é certo, porque ainda há quem
se aproveite da desgraça alheia para enriquecer à conta, mas é assim que eles
são felizes, e porquê?
Porque uma nação começa com a educação e essa, essa
continua a não ser a prioridade de muitas nações.
E, mais não digo, estaria a desvendar algo que pode
facilmente ser visível através do livro “Iceberg Angola”.
Fiquem com o livro “Iceberg Angola” e apreciem o
que de belo deve ser apreciado mesmo que o horror ainda nos choque.
Bem hajam!
Ana Mascarenhas
19 Nov 17
Ana Mascarenhas na RDS Lisboa
Ana Mascarenhas esteve na RDS Lisboa para falar sobre o seu próximo Livro "Os Limites do Mal".
No decorrer da conversa entre quem é a Ana Mascarenhas como Mulher e o que faz em Angola, Ana Mascarenhas leu um poema de sua autoria intitulado "Sou Lisboa!"
Choro porque sei irei em breve deixar novamente a minha Lisboa
No decorrer da conversa entre quem é a Ana Mascarenhas como Mulher e o que faz em Angola, Ana Mascarenhas leu um poema de sua autoria intitulado "Sou Lisboa!"
Sou cidadã do mundo!
Mas hoje choro!
Choro porque sei irei em breve deixar novamente a minha Lisboa
Lisboa que me viu nascer
Lisboa que me viu crescer
Lisboa que me viu florescer
Lisboa que me viu amar
Lisboa que me viu parir
Mas, também, Lisboa que me viu morrer
Hoje choro!
Choro por deixar a minha Lisboa da forma como tenho que deixar
Choro por deixar a minha Lisboa da forma como tenho que deixar
Choro por deixar a minha Lisboa que tanto Amo
Choro por deixar a minha Lisboa, a minha história, a minha
Vida, também
Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
E não deixo de Amar cada canto por onde passo
Cada recanto por onde ando
Cada pessoa que trespasso
Cada cultura que aprendo
Mas acima de tudo não deixo de Amar também a Minha Lisboa
A terra que me viu nascer, aquela em que me mataram a Alma
Mas também aquela em que dela faço a Fénix renascida das
cinzas
Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
Mas acima de tudo sou Lisboa!
Ana Mascarenhas
A Equipa
Sandra Brazinha e Carlos Pinto Costa
Ana Mascarenhas na RDS RADIO 87.6 FM
Os Limites do mal…
Este livro
retrata a vida de uma mulher casada, mãe de dois filhos e, que um dia se
apaixonou pela vida. Apaixonou-se de tal modo pela vida que quis segui-la de
acordo com os seus princípios, sendo leal a si mesma, mas, ao tomar essa
decisão, criou danos colaterais e cruelmente foi julgada de uma forma tão
acutilante quanto agoniante, quer pelo marido, quer pelos próprios filhos.
É um livro
escrito na primeira pessoa, identidade que a autora já nos habituou, refletindo
um passado presente, mas com a certeza, porém, de que o futuro sendo incerto é
tão certo como a morte.
Ana
Mascarenhas nasceu em Lisboa no dia 28 de Julho de 1969. Trabalha há mais de 20
anos na área das Tecnologias de Informação e Comunicação. Empreendedora na área
da gestão hoteleira abraçou um projeto ao qual dedicou, também, parte do seu
tempo. No entanto, a sua formação académica pauta-se pela área das Letras.
Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos e Minor em Estudos Literários e
Artísticos e com uma Pós-Graduação em Gestão de Empresas dedica-se, igualmente,
à escrita, leitura e agora muito recentemente, também à fotografia.
Na década de
90 participou ativamente para a já extinta revista “Cérebro, escrevendo artigos
sobre Software de Gestão.
Ana Mascarenhas foi à RDS Lisboa, no dia 11 de
Setembro, 6ª feira entre as 16 e as 17 horas, falar sobre o seu amor pela escrita e
sobre o seu próximo livro "Os Limites do Mal", e também pela sua
paixão pela fotografia.
Pode ouvir em 87.6 FM ou em www.rds.ptVídeo "Artes e Cultura" da RDP Internacional
O Vídeo da Entrevista do Programa “Artes e Cultura” de Jaime Ferreira de Carvalho
da RDP Internacional já se encontra
disponível. Basta clicar no lado direito do blogue, na opção “Entrevista Digital a Ana Mascarenhas”
e, selecionar a opção “Entrevista no
Programa Artes e Cultura da RDP Internacional”. Ou, poderá clicar no link em baixo da imagem e ouvir a
entrevista na sua totalidade. Obrigada!
Ana Mascarenhas na RDP Internacional
Ana Mascarenhas esteve no dia 10 de Maio de 2012 no programa de Jaime Ferreira de Carvalho, Artes e Cultura da RDP Internacional para falar sobre os seus livros e a cultura em geral...
Entre outros textos, leu um texto do seu segundo Livro Em Carne Viva dedicado às Vozes da Rádio
De novo a história do carro.
De
novo a inspiração na condução.
Se pudesse escrever tudo o que pela minha mente passa enquanto conduzo, não haveria papel nem tinta que chegasse para preencher o vazio que sinto, por nada poder escrever e apenas conduzir. E enquanto conduzo reparo que novo hábito se instala em mim, será da idade ou será mesmo assim?
Agora, as músicas que outrora aprendi a escutar, escuto-as igualmente, mas com pausa de rádio na mente. Sim, mas não é uma pausa qualquer, é um intervalo na música para dar lugar à voz.
Oiço e imagino, sinto também, que são vozes de rádio, vozes sem cara mas com corpo, vozes com palavras e posturas próprias, de modo a deixar correr a imaginação, como será aquela criatura, como será aquela viva alma que dá vida à rádio de corpo sem corpo.
Ao ouvir vozes bonitas, gargalhadas contentes, sorrisos com vontade e alegrias partilhadas, penso para mim: “utópico dizer, mas como se consegue através de uma voz, transmitir a visão dos gestos que esse corpo de voz se faz sentir e ver também?”
Consigo ver a voz e não apenas ouvi-la, consigo senti-la e não apenas escutá-la, fantástico mesmo. Mas eu, eu não tenho uma voz bonita, não tenho a sapiência dos convidados nem tão pouco sou conhecida pelo que apenas sou, porque haveria eu de ser alguém, ou igualmente ter voz que ouve, sente e vê?
Imagino
a que cara pertence determinada voz sem rosto, imagino o que poderia aprender
com ilustres convidados que vivem da erudição de uma vida intensa em estudo e,
igualmente em sabedoria.A conclusão é aterradora, pois não tenho uma voz marcada, nem uma presença firme, quanto mais a sabedoria de alguém que sabe ser a cultura e a perícia, de uma vida de esforço e determinação, a mais que não seja, por uma luta, uma causa, um motivo e até uma vontade.
Mas de facto apenas oiço e imagino.
Imagino-me ser a convidada e porque não a jornalista, quem sabe a locutora e também a escritora, mas imagino sempre vozes com garra, vozes com brilho e vozes com vontade de se fazerem ouvir.
E no entanto ao imaginar que rosto terá aquela voz, que face terá aquele corpo, apenas constato que novo hábito se instala, por querer ouvir e imaginar, vozes que dão vida à voz e até gestos que dão existência à alma. Pois, apenas a voz que oiço me faz imaginar que gestos estarão a fazer enquanto falam e trabalham?
Oiço
e escuto, divago e penso, oiço e ausculto e novamente vagueio e devaneio.São lindas vozes de corpo ausente, são fenómenos com voz e com som presente, são vozes com cheiro e tradição, são toques de vozes que nos fazem fantasiar.
E eu aqui a escrever e a esforçar-me para me lembrar, o que tanto queria rabiscar, o que tanto me inspirou numa tarde de rádio com som de vozes e sem som de música.
Afinal, escrevo apenas para recordar, para me acalmar e nada consigo nesta vida fazer, a não ser escrever com som de teclas e devaneios sem voz.
Pois, afinal tudo esqueci e nada escrevi.
Que voz tenho eu para fazer nascer algo que arrepie e denuncie?
Que
voz tenho eu para agarrar com vontade e nascer sem crueldade?
Que
voz tenho eu na alma e no corpo, na vida e na mente?
Diz-me apenas se me faço ouvir?
Diz-me apenas se me faço ouvir?
Diz-me
apenas se me faço sentir?
Mas diz-me…
Diz-me
que, mesmo calada e sossegada me ouves.
Assim, serei a voz de alguém, saberei ter voz e também ser voz, que se faz ouvir com palavras escritas e nunca faladas, mas que se faz entender e até perceber, que se faz sentir e até amar, porque afinal, também escrevo e o corpo não me vêem, de igual modo que escuto uma voz com corpo, mas não o vislumbro por ser voz de rádio.
Se assim é, serei sempre a tua voz, não é bonita nem firme, mas é e será sempre uma voz, a voz da luta e da conquista, a voz da dor e da ignorância, mas será sempre uma voz.
Uma voz com corpo e presença sem rádio.
Ana Mascarenhas in Em Carne Viva
Vídeo do Programa "Conversando" da TVL
O Vídeo da Entrevista do Programa "Conversando" da TVL já se encontra disponível. Basta clicar no lado direito do blogue, na opção "Entrevista Digital a Ana Mascarenhas" e, selecionar a opção "Entrevista no Programa "Conversando". Ou, poderá clicar no link em baixo da imagem. Obrigada!
Isabel Fontes recebeu Ana Mascarenhas no 1º programa”Conversando”. Para falar de
“Louca Sensatez”, “Em Carne Viva”, “Vazios da Escrita” os livros da autora.
Quem é Ana Mascarenhas?
“Curiosamente quando falo sobre mim, não consigo escrever na primeira pessoa é como se me alienasse de mim e estivesse a escrever sobre alguém que conheço bem, que me é próximo, mas não sou eu.”
Quem é Ana Mascarenhas?
“Curiosamente quando falo sobre mim, não consigo escrever na primeira pessoa é como se me alienasse de mim e estivesse a escrever sobre alguém que conheço bem, que me é próximo, mas não sou eu.”
III Encontro de Escritores Lusófonos
A convite da «EdiumEditores» estarei presente como oradora no evento "Encontro de Escritores Lusófonos"
A minha participação será na "Sala de Adultos", no dia 21 de Maio, pelas 16h30 no Centro de Exposições de Odivelas e Biblioteca Municipal D. Dinis
Terá como moderadora do debate Ana Jordão (Jornalista, RDP África)
CENTRO DE EXPOSIÇÕES DE ODIVELAS E BIBLIOTECA MUNICIPAL D. DINIS
III Encontro de Escritores Lusófonos
1. A literatura teve sempre grande destaque nas anteriores edições da Bienal de Culturas Lusófonas.
É por isso que nesta terceira edição (a 20, 21 e 22 de maio de 2011),
voltará a haver um Encontro de Escritores Lusófonos. Será um encontro especial e
imensamente alargado, durante três dias, onde haverá a passagem e presença de
cerca de cinco dezenas de escritores oriundos de todos os cantos da lusofonia.
Depois deste III Encontro de Escritores Lusófonos estamos certos de que Odivelas
se tornará uma espécie de capital da literatura de língua portuguesa.
2.Teremos três dias de debates organizados por
painéis, de apresentações à imprensa, de apresentações ao público e de algumas
homenagens. Mas o convívio entre escritores de diferentes paragens, unidos pela
mesma matriz cultural, ao nível da língua, será da maior relevância.
Um dos painéis em destaque será, precisamente, o que
celebra aqueles escritores que vivendo fora dos países de língua oficial
portuguesa, escrevem em português e, em alguns casos, são escritores bilingues,
nomeadamente radicados na Europa.
3. Em 2011 celebram-se os 750 anos do nascimento de D.
Dinis, o Rei-Poeta e Lavrador. O III Encontro de Escritores Lusófonos será uma
das formas de prestarmos essa devida homenagem.
Aliás, não poderia haver melhor forma de a realizarmos.
4. Durante todo o Encontro de Escritores haverá
apresentações de livros e contactos regulares com a imprensa. Os diferentes
painéis decorrerão em circuito aberto, isto é, todo o encontro será franqueado
ao público em geral.
5. Haverá momentos especiais com performances ao nível
do canto, da música e da declamação.
Destaque para a fadista japonesa Yoko, a atriz e declamadora Paula
Nunes e para o maestro e pianista do Teatro S. Carlos, Nuno Lopes.
Encontro de Escritores Lusófonos
Encontro de Escritores Lusófonos
A convite da «EdiumEditores» estarei presente como oradora no evento "Encontro de Escritores Lusófonos"
A minha participação será na "Sala de Adultos", no dia 21 de Maio pelas 16h30 no Centro de Exposições de Odivelas e Biblioteca Municipal D. Dinis
Terá como moderadora do debate Ana Jordão (Jornalista, RDP África)
Em anexo junto o programa do evento apenas para o dia 21, uma vez que o mesmo terá a duração de três dias (20,21 e 22)
Cumprimenta
Ana Mascarenhas
Encontro de Escritores Lusófonos
ProgramaPROTEÇÃO AOS ESCRITORES:
ACTUALIDADE E EXPECTATIVAS FUTURAS; MISSÃO E IMPACTO DO PRÉMIO LITERÁRIO
Annabela Rita (Associação Portuguesa de Tradutores)
António Carlos Cortez (Crítico, Poeta, Prémio SPA/RTP)
José Jorge Letria (Sociedade Portuguesa de Autores)
Manuel Rui Monteiro (Angola)
Maria Elsa Rodrigues dos Santos (Sociedade de Língua Portuguesa)
Miguel Real (Critico Literário, Escritor)
Moderador: João Rosário (Jornalista da RTP)
Pausa para café 11.15/11.45
Momento cultural: Coro de Câmara do Conservatório de Música D. Dinis
Painel 6 11.45/13.00
A LITERATURA PORTUGUESA EM EXPANSÃO
Ângela Carrascalão (Timor)
Germano de Almeida (Cabo Verde)João Maimona (Angola)
Lucílio Manjate (Moçambique)
Luís Costa (Timor)
Olinda Beja (São Tomé e Príncipe)
Ondjaki (Angola)
Tony Tcheka (Guiné-Bissau)
Moderador: Mário Máximo (Escritor)
Almoço 13.30/15.00
APRESENTAÇÃO DE LIVROS 15.00/18.30
Cumprimenta
Ana Mascarenhas
Encontro de Escritores Lusófonos
ProgramaPROTEÇÃO AOS ESCRITORES:
ACTUALIDADE E EXPECTATIVAS FUTURAS; MISSÃO E IMPACTO DO PRÉMIO LITERÁRIO
Annabela Rita (Associação Portuguesa de Tradutores)
António Carlos Cortez (Crítico, Poeta, Prémio SPA/RTP)
José Jorge Letria (Sociedade Portuguesa de Autores)
Manuel Rui Monteiro (Angola)
Maria Elsa Rodrigues dos Santos (Sociedade de Língua Portuguesa)
Miguel Real (Critico Literário, Escritor)
Moderador: João Rosário (Jornalista da RTP)
Pausa para café 11.15/11.45
Momento cultural: Coro de Câmara do Conservatório de Música D. Dinis
Painel 6 11.45/13.00
A LITERATURA PORTUGUESA EM EXPANSÃO
Ângela Carrascalão (Timor)
Germano de Almeida (Cabo Verde)João Maimona (Angola)
Lucílio Manjate (Moçambique)
Luís Costa (Timor)
Olinda Beja (São Tomé e Príncipe)
Ondjaki (Angola)
Tony Tcheka (Guiné-Bissau)
Moderador: Mário Máximo (Escritor)
Almoço 13.30/15.00
APRESENTAÇÃO DE LIVROS 15.00/18.30
Sala de Adultos (início 15.00)
Carlota de Barros (Cabo Verde)
Gabriel Baguet Jr. (Angola)
José Hopffer Almada (Cabo Verde)
16:30 - Pausa para café
Carlota de Barros (Cabo Verde)
Gabriel Baguet Jr. (Angola)
José Hopffer Almada (Cabo Verde)
16:30 - Pausa para café
Ana Mascarenhas (Portugal)
Margarida Fonseca Santos (Portugal)
Olinda Beja (São Tomé e Príncipe)
Moderador: Ana Jordão (Jornalista, RDP África)
Olinda Beja (São Tomé e Príncipe)
Moderador: Ana Jordão (Jornalista, RDP África)
Sala Multimédia (início 15.30)
Arménio Vieira (Cabo Verde)
Luís Peixeira (Portugal)
Ozías Filho (Brasil)
16:30 - Pausa para café
Teolinda Gersão (Portugal)
Valentinous Velhinho (Cabo Verde)
Teobaldo Virgínio (Cabo Verde)
Moderador: Artur Lucena (Poeta, Jornalista Loures Magazine Odivelas)
Arménio Vieira (Cabo Verde)
Luís Peixeira (Portugal)
Ozías Filho (Brasil)
16:30 - Pausa para café
Teolinda Gersão (Portugal)
Valentinous Velhinho (Cabo Verde)
Teobaldo Virgínio (Cabo Verde)
Moderador: Artur Lucena (Poeta, Jornalista Loures Magazine Odivelas)
SESSÃO DE AUTÓGRAFOS: ONDJAKI (ANGOLA) 17.00/18.30
20º ANIVERSÁRIO ARTILETRA 19.00/20.30
20º ANIVERSÁRIO ARTILETRA 19.00/20.30
Discurso Encontro Escritores Lusófonos
Discurso
para o Evento
«Encontro
Escritores Lusófonos»
Apresento-me como sendo autora de dois
livros publicados respectivamente em 2009 e 2010, ambos escritos em prosa
poética e poesia narrativa.
«Louca Sensatez», título do primeiro
livro retrata a sensualidade e o erotismo feminino.
«Em Carne Viva», título do segundo
retrata os males da sociedade em que vivemos.
No próximo sábado, dia 28, irei lançar o
terceiro livro, igualmente escrito em prosa poética e poesia narrativa. «Vazios
da Escrita» é o seu nome e tem prefácio de Miguel Real. É um livro que acaba
por ser a continuidade do segundo, pois, retrata o crescimento interior, como
crescemos nesta sociedade?! O evento decorrerá pelas 18h30, no Hotel Real
Palácio na Rua Tomás Ribeiro, em Lisboa, assim, fica desde já o meu convite,
caso queiram comparecer, obviamente, ficar-vos-ei eternamente grata.
O meu percurso literário, embora tenha
iniciado publicamente aos 40 anos, revela que o ser humano tem uma capacidade
ilimitada de inovar, apreender e, porque não, esgotar o seu limite apenas na
imaginação, isto porque, o limite, se assim o entendermos, está na nossa capacidade
imaginativa, ou seja, podemos ser tudo de todas as maneiras…
Estou neste momento a desafiar-me num
romance, pois os três livros agora citados são, como disse, escritos em prosa
poética e poesia narrativa. Um romance que será diferente e único, pois retrata
numa única pessoa situações que devem ser denunciadas por todos, como a
mutilação genital, a violação, a lapidação, a barriga de aluguer, o tráfico de
órgãos humanos, o rapto, as minas, o infanticídio feminino, enfim, todos os
males que existem numa sociedade dita global.
Para vos dar a conhecer um pouco da
minha escrita irei ler um texto de cada livro já editado.
O primeiro pertencente ao livro «Louca Sensatez»
e intitula-se «Sabre»
Ainda é noite, mas o dia já acordou, está frio e chove torrencialmente.
Despi-me de
corpo e vesti a alma, fui buscar o Sabre e abri uma das portas que dá para o
jardim.
A escuridão
era iluminada pelo barulho de pequenas luzes que aqui e ali se escondiam na
madrugada adentro.
A música
soava na minha cabeça e de olhos fechados, caminhei em direcção à relva
molhada.
Assim que
coloquei o pé fora da alçada, sofri um arrepio de fazer colar-nos o corpo a uma
fogueira, queimei-me com gelo quente e senti o frio borrifado pela chuva.
No Verão
são rituais mais quentes e húmidos, contudo o gozo que me dá em praticar arte
para a arte, estar nua sem ser vista, manter equilíbrios desequilibrados, é um
prazer inesgotável que em mim habita e me aquece como o fogo que me atinge e me
padece.
De Sabre na
mão, coloquei-me em posição de equilíbrio, mantive uma silenciosa postura de
rapidez atravessada pelo lento Sabre que saqueei e atingi sem foco, o que o
vento fez questão de denunciar.
Um vento
provocado pelo saque do arremesso do Sabre que a rapidez suavizou lentamente.
O gosto que
tenho em desafiar o destino, é me imposto por mim e nem sei porquê, mas gosto
de estar naturalmente escondida, protegida até, … dentro do meu espaço verde e
que sei nunca me denunciar para o mundo. As posturas corporais acusadoras e de
Sabre na mão, podem ser entendidas como ofensas e incompreendidas por
terceiros.
Mas gosto,
gosto mesmo de expor-me sem ser vista, de me denunciar, sem ser denunciada, de
me acusar, sem ser acusada, de praticar, sem ser praticada, gosto apenas…de ter
o poder de saber que me protejo das minhas denúncias e das minhas acusações,
pois comigo tenho o Sabre que me inocentará com o fim de não ter fim.
Completamente
extenuada pela frieza da chuva e aquecida pelos movimentos desequilibrados e,
ainda de Sabre na mão deitei-me na relva ensopada de chuva e granizo,
congelei-me até a dor me aquecer o corpo e inerte ficar.
Deixei-me
estar deitada e adormecida.
O tempo
clareou e eu levantei-me. Pé ante pé silenciada pelo nada, limpei
cuidadosamente o Sabre e guardei-o em lugar oculto. Subi as escadas de madeira
aquecidas pelo calor humano, denunciei-me através das pegadas molhadas que
deixavam rastos de água agora aquecidas.
Abri a
torneira e enchi a banheira, quebrei o silêncio e o mundo acordou. Eu…
simplesmente já deitada na banheira cheia de espuma e de doces aromas, vesti o
corpo e despi a alma, para parecer a mulher normal que qualquer mulher é.
_________________________________//_________________________________
Como puderam ouvir, retrata a sensualidade da mulher num estado sensatamente louco…
O texto que agora vou ler pertence ao livro «Em Carne Viva» e, porque estamos num encontro Lusófono «Timor» é o seu título:
Foi
há 18 anos que me pariram.
Nasci
à custa de cerca de 200 mil almas, naquele séquito inferno de consternação e mágoa,
que por mim lutaram de modo a que a dor não se fizesse sentir, nesse parto que
teimou em chacinar, mas vingou ao nascer.
Da
terra que não tem dono e do homem que não tem terra, quiseram em mim penetrar,
fecundar-me até ao mais âmago da minha alma, matar-me para não nascer e apenas
existir com cúmplices nomes de crueldade e vingança.
Dei
tudo de mim e de mim tudo tiraram, mas venci, mesmo que do nada tenham surgido
almas espalhadas por campas não desejadas, renasci e agora vivo, em honra
daqueles que por mim quedaram e, não em prol dos que em mim habitaram, com
garras de guerra sem nome, por uma ambição desmedida e igualmente desumana.
Nasci,
mas não cresci.
Estou
ainda a amadurecer ideias e ideais, estou a parir novos feitos sem feitos,
desta feita, com dor daqueles que ficaram, pela saudade dos que partiram.
Surgi,
como disse, com novos cúmplices, mas agora quererei apenas ser conivente com a
honra e não com a desonra, quererei apenas partilhar e fecundar vidas com sede
de brincar, brindar e brilhar por motivos vários e, por muitos e muitos anos,
séculos até, mas sempre lembrando que foi no dia 12 de Novembro de 1981 que, em
mim elegeram a luta pela independência que apenas aos 18 se tem, mas não se
vive, porque o amadurecimento dessa vida, vai longe, e apenas cresce com a dor
que nos desafia.
Sei
ser igual dor para muitos, como fui para aquelas almas que por mim cederam, mas
sei que muitos há que por mim lutarão, apenas por acreditarem que eu posso
viver em harmonia, com nome de democracia não camuflada e apenas desnudada.
Timor,
terra virgem que já foi desbravada, terra fértil que já foi fecundada e, agora
renascida de almas vivas, porque nelas serão lembradas uma data que nunca foi
data mas, agora é data da memória com dor.
A
Vós almas, desumanamente e cruelmente chacinadas, que por mim sofreram, em
cruzes de Cristo e jazigos ossários, num cemitério onde a paz um dia reinou,
mas nessa hora apenas matou.
A
Vós almas, 18 anos depois, Vos suplico que deis nome a outras almas, desta
feita, vivas e humanas, para que eu possa crescer e não apenas ficar, como que
se toda a Vossa luta tivesse sido em vão, e de nada valeu terem-me oferecido o
que de mais precioso temos, a vida, a nossa vida, a terra, a nossa terra, a
alma, a nossa alma e a honra, a nossa honra, mas sempre sem desonra.
Obrigada!
Ana
Mascarenhas
Odivelas,
21 de Maio de 2011
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