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Entrevista ao Jornal de Odivelas




Entrevista sobre o Livro "Em Carne Viva"


1. Um ano após a publicação do livro Louca Sensatez, aparece o livro Em Carne Viva. O que de há de diferente neste novo livro?

Digamos que o livro Em Carne Viva é a continuidade do livro Louca Sensatez mas, no seu estado mais cru, mais nobre.

Enquanto que o livro Louca Sensatez começa por ser a invocação à sensualidade feminina, existe, porém, o “eu” lírico que é visto e, igualmente sentido na poesia narrativa. Este “eu” lírico começa a querer fazer-se ouvir de forma mais vincada, quase que apelando paulatinamente ao seu eco.

Daqui nasce o livro Em Carne Viva e toda uma panóplia de sentimentos em forma de catarse interna, que se associam à imagem humana, à sociedade e ao valor dos Valores. A palavra tem o papel principal e a honra é a sua personagem favorita, digamos que o livro Em Carne Viva é a purificação da Alma.


2. Falas por todas as mulheres ou simplesmente por ti?

Como escrevi nas palavras prévias do livro Em Carne Viva, falo por todas as mulheres. Falo por mim que sou mulher e, igualmente por todas as mulheres com M grande. Para quem me lê é facilmente perceptível verificar que escrevo sempre na primeira pessoa do singular, o que, não valida ou invalida que o que escrevo seja sobre mim. Temos o exemplo do texto “Timor”, neste texto visto a pele do país, da terra, da gente, do povo timorense e, no entanto, não sou nem nunca estive em Timor, mas escrevo na primeira pessoa. Penso que esta forma de escrever permite que o leitor se reveja nos meus textos, como se ele estivesse a ler em voz alta e a sentir o que escrevo, é um pouco a partilha única mas universal de sentimentos comuns.


3. No livro Em Carne Viva as ideias prevalecem às imagens?

Nada prevalece sobre nada, nem o texto nem as imagens, ambas se complementam. São associações de estados de Alma que, complementam alguns textos para que o leitor associe o que lê, à pessoa que escreve, contudo, como está escrito na primeira pessoa, permite igualmente que o leitor se sinta dentro do texto, como se dele fizesse também ele parte.


4. Pensas que nestes tempos a honra de uma pessoa vale muito?

Não é só nestes tempos é em todos os tempos. A honra de uma pessoa é o maior valor que ela tem. É a honra que a acompanha para a segunda viagem, se não nascemos com ela, poderemos com ela morrer, logo, não são os bens materiais mas, a honra que nos irá acompanhar e, poderá ser ela, a honra, igualmente o nosso legado, só assim, os nossos descendentes crescerão e viverão num mundo melhor. Parece utopia, parece repetitivo, mas é uma constante luta para quem nela acredita.


5. A escrita existe para curar as mágoas como uma consolação, como um refúgio? Ou para despertar o espírito crítico nos leitores? A revolta. Para não permitir que o número de mutantes aumente?

A escrita existe por razões várias. Não só como elemento catártico, não só como refúgio e amparo, não só para despertar o sentido crítico de cada leitor, não só para abanar mentalidades, não só para não permitir que o número de mutantes exista, mas, de facto, e, acima de tudo, a escrita existe como forma de expressão, uma forma de Arte expressiva, uma forma de comunicar calado, porque o silêncio das palavras também falam, comunicam caladas, escritas, silenciadas, mas comunicam, lendo-as.

A escrita é um refúgio que nos permite interiorizar e, alimentar o elemento catártico que há em nós, para não nos permitirmos ser devorados pelos mutantes a que apelidamos de humanos.

Por isso, escrevo calada mas sentida.



6. O título do teu segundo livro podia ter sido também “Em carne própria”?

Não. O título “Em Carne Própria” dá a sensação de se tratar exclusivamente da minha pessoa e, faz igualmente lembrar o «slogan» “impróprio para consumo”, o que, não deixa de ser verdade esta reflexão em muitos dos textos que o livro tem, contudo, seria colocar os mesmos num único patamar, ou seja, na minha pessoa e, como escrevi anteriormente, trata-se de um livro único por ser “eu” mas universal por ser da “Mulher”.


7. Quando damos por terminado um texto que exprima a nossa indignação?

Nunca dou um texto definitivamente por terminado. Ele termina naquela momento porque me sugou todas as palavras e sentimentos que tinha naquele momento para dar, mas, um texto é sempre uma continuidade do nosso eu, enquanto pessoa, enquanto cidadãos, enquanto ser humano. É uma espécie de vida própria que ganha consistência à medida que vive, logo, um texto nunca é uma obra acabada, mas sim e sempre inacabada…


8. A tua escrita ganha um corpo próprio, estás muito presente nela. Estás a viver cada vez mais intensamente a literatura?

A minha escrita revela o sentimento comum. Nem todos o desnudam de forma tão clara ou inequívoca, mas revelam o sentimento que é a consciência humana. É essa consciência que é preciso despertar, por isso, sim, é verdade, vivo cada vez mais intensamente a literatura, é através da arte de escrever que me refugio ao ver e/ou sentir um sentimento que muitas vezes me visita, o da impotência. Por sentir a corrupção, a deslealdade, a inveja, a mentira, a podridão, por sentir todos os sentimentos que todos nós humanos deveríamos sentir ou passar, porque só assim é possível o ser humano se tornar num ser mais humilde, mais capaz…, infelizmente, crescemos sempre da pior maneira e, esta não é excepção.


9. A infelicidade própria ou alheia é o melhor parceiro dum poeta?

Todo e qualquer sentimento, seja próprio e/ou alheio, seja feliz ou menos feliz, é e será sempre o parceiro de um poeta, no entanto, o silêncio da solidão é o seu parceiro de eleição, digamos que o melhor…


10. Existe uma literatura feminina?

Não acho que as literaturas tenham que ser femininas ou masculinas, até porque a literatura não tem sexo, mas existe uma clara tendência para determinadas leituras serem absorvidas por seres femininos e outras por seres masculinos, no entanto, e no meu ponto de vista, toda e qualquer literatura é e deve ser absorvida por seres de ambos os sexos, como disse, a literatura não tem sexo.


11. A traves dos poemas do teu segundo livro podemos reconstruir um período da tua vida interior?

Os poemas do livro “Em Carne Viva” são de facto todo um processo de interiorização que serviu de catadupa para a exteriorização. No entanto, não posso afirmar tratar-se de um período único e exclusivo da minha vida, é evidente que o meu cunho pessoal está sempre presente, porque sinto como qualquer ser humano, mas nem todos têm que ser necessariamente sobre um processo de interiorização da minha pessoa.


12. Quando reparas que a voz lírica do teu livro é e não é Ana Mascarenhas?

A voz do meu livro é sempre a voz da Ana Mascarenhas, porque me visto e sinto na pele o que escrevo, mas, uma vez mais, e, pese embora o meu cunho esteja sempre presente, a minha voz apenas dá corpo a almas várias que podem ser sentidas por quaisquer pessoas.


13. Pensas que as pessoas gostam mais de falar de si próprias do que ouvir a voz dos outros?

Depende. Há pessoas que gostam de sentir o seu eco, o seu ego alimentado e, outras há que gostam de ser o alimento desse eco ou desse ego, logo, depende…


14. O que te limita a escrita? Escreves tudo o que desejas? Tens alguma autocensura?

A escrita não tem limites, mas nem sempre escrevo o que desejo. Outras há que escrevo o que não desejo, mas escrevo sempre… de uma forma ou de outra, posso não escrever naquele momento, naquele exacto momento, mas escrevo… na memória, para depois mais tarde escrever no papel.

Sim. Por vezes autocensuro-me: Estou melhor, ou não…não sei, mas por vezes autocensuro-me apenas com receio do que possam pensar… escrevo sempre na primeira pessoa e, muitas são as vezes que se confunde o papel do autor com o papel da personagem…


15. A paixão por escrever é como uma religião particular?

Não. Não necessariamente. Penso que a religião como a vemos hoje, exige uma particularidade que nada tem a ver com a escrita. Ou seja, existe a religião «fanática» existe a religião «hipócrita», existe apenas religião, mas, todas elas batem no mesmo alvo, ou seja, a disciplina no sentido de que a falha será punida… no meu entendimento e, tratando-se de uma paixão, não será uma obrigatoriedade mas acima de tudo uma satisfação… por isso, prefiro fazer uma analogia entre a escrita e a espiritualidade, por esta última ser igualmente sentida pela minha pessoa como um processo de satisfação e, não como um processo de obrigação…


16. Entre a realidade (incluindo a fantasia) e a Literatura, quais as fontes de inspiração?

São várias as fontes de inspiração, variam consoante e, principalmente, o estado de espírito, o tempo (clima), as observações exteriores do mundo que me rodeia, enfim, são várias e por vezes nenhuma. Quando o tempo passa e nada escrevo, nada me inspira para escrever, aprendi a esperar, aprendi a nada forçar, aprendi que a seu tempo a vontade chega…é assim que funciona…


17. O amor e o desamor em Em Carne Viva

Talvez esteja mais presente o desamor que o amor, mas, não o desamor como o conhecemos, mas antes, um desamor de desilusão, impotência, por tudo querer fazer, mudar e, nada conseguir, é um sentimento de desamor mas em relação á sociedade…


18. O desafio de viver sempre apaixonada

É sem dúvida um grande desafio, o maior ou um dos maiores que a vida nos oferece. Viver num estado constante de paixão, quer seja por alguém ou, por livros, arte, escrita, estudo, trabalho é, sem sombra de dúvida o maior desafio, caso contrário, estaria rapidamente em declínio comigo mesma, permitindo que a depressão se instalasse em mim e isso, não o permito…prefiro a luta mesmo que desiludida, à satisfação da inércia por nada fazer, por isso, luto por estar sempre, mas sempre apaixonada…pela vida…


19. O que poderá ser uma má interpretação da tua posição na vida e na literatura?

Já o foi. Quando o livro “Louca Sensatez” foi publicado houve muitas pessoas do “meu” mundo profissional que me julgaram caladas, pessoas que não sabem apreciar a arte de escrever, de sentir, de viver… houve até quem me dissesse que os meus estudos não eram bem vindos na minha área profissional, houve quem me dissesse que era um livro pornográfico, houve quem me julgasse calado… mas não me importei, sei que tudo o que escrevo é sentido de todas as formas e mais alguma por todas as pessoas, umas partilham, outras não, outras ainda manifestam desagrado por quem partilha…

Contudo, o ser humano tem um potencial enorme dentro de si que, muitas são as pessoas que não sabem ou não querem saber. O facto de trabalharmos numa determinada área de negócio, não implica necessariamente que não possamos fazer outras coisas, mas existe uma resistência enorme à inovação, à criação, à vontade própria de fazer outras coisas igualmente bem feitas… somos nós, os humanos no seu melhor…enfim…


20. Entre o prazer sexual, sensual, estético e epistemológico

O prazer é prazer… o prazer não pode ser comparado sob pena de o quantificarmos. Sendo o prazer um sentimento, quer seja de cariz sexual, estético, sensual ou até um prazer na ordem do saber, do conhecimento e da lógica é sempre prazer…um sentimento sentido de formas diferentes e por vezes inexplicáveis…


21. Entre a palavra e o facto, entre dizer e fazer

A palavra deveria ser honrada, quando a proferimos devemos ter o máximo cuidado com o que proferimos, sob pena de ao actuarmos contradizermo-nos… é um facto que a palavra está cada vez mais em desuso, as pessoas por tudo e por nada pecam pelo excesso de palavras, diz-se muito e actua-se pouco e depois, ainda há quem actue mas não no momento certo e, muitas vezes, não da melhor maneira… a honra da palavra nem sempre é sentida, é preciso e primeiramente saber honrar-se a si próprio para depois saber dar-se a honrar…


22. Consideras que o livro “ Em Carne Viva” é um livro aberto, que ainda pode aumentar cada dia?

Sem dúvida, absolutamente. É um livro e como livro que é está sempre aberto… perdura no tempo, porque a sociedade está em constante mutação, logo, o livro, a escrita, o sentir estão igualmente num constante dinamismo.


23. Entre o que se está a pensar e o que se está a sentir, o desafio da linguagem …

É um grande desafio. Nem sempre se escreve o que se sente ou o que se pensa… não porque a escrita não nasça do sentimento em si, nada disso, mas por vezes não há palavras para conseguir explicar o que se sente…sente-se e ponto… existem muitas palavras que ficam aquém do que gostaríamos de explanar… talvez resida aqui a evolução linguística…não sei… penso que poderá ser uma matéria para os filólogos…



Entrevista sobre o Livro "Louca Sensatez"

 


1.      A vida, a escrita, biografia e literatura (experiencia na escrita, inícios, leituras, autores)

Vida… a vida é para ser vivida com vontade de viver e não apenas existir.

Educo-me vezes sem conta quando existem dias menos bons na minha vida, contudo nem sempre sigo esta máxima.

De facto é mais fácil segui-la quando estou perante o calor humano e/ou da natureza, como o sol, a praia, o campo, o ar, a terra, a água, o vento, e até o próprio fogo.

Identifico-me com todos estes elementos, contudo, existe um que me aproxima da vontade de viver, é o fogo, o calor e/ou ardor, que pelos seus condimentos, requerem estados de paixão constantes, e é a paixão, seja ela pela escrita pelo que for, que me move para me sentir viva.

A escrita para além de ter sido uma descoberta tardia, foi igualmente inconsciente.

Sempre gostei de escrever, contudo nunca me apercebi o quanto ela representou e representa para mim nos dias de hoje, digamos que a mesma se tornou na minha companhia e na minha solidão, no meu refúgio e no meu amparo, com ela revelo-me e acuso-me, mas nunca deixando de ser eu.

A minha biografia não é nem mais nem menos que qualquer biografia humana, é apenas diferente e semelhante, diferente por ser única, semelhante por ser humana.

Estudei e continuo a estudar, aliás, acho que será um acompanhamento para o resto da minha vida, trabalho como todos os comuns dos mortais e divago com a escrita. Digamos que herdei do meu pai este bichinho de querer saber sempre mais… apenas isso…

A leitura aliada à escrita seguiu o mesmo trajecto, sendo que devo a uma pessoa esse trajecto, à Isabel Ramos. A Isabel é uma pessoa ponderada, com ela aprendi a crescer com maior dignidade.

Ensinou-me a crescer e a ver a vida de forma mais racional sem nunca esquecer a emotividade, contudo sentida de forma igualmente racional, ou seja, dentro dos limites da nossa insanidade mental.

Aprendi a gostar de ler com vontade de devorar cada história, cada personagem, cada clima instalado, cada tudo e cada nada. Por isso, Obrigada Isabel, por me teres ensinado a iniciar-me neste campo da literatura.

Autores de eleição existe um, digo-me Pessoana 100% porque tenho várias almas, aliás como Fernando Pessoa com os seus heterónimos com vontade de ver nascer almas várias, sem nunca delas querer se alienar por completo.

Assim, tenho vários estados de alma que se alimentam da escrita, consoante o estado de espírito que as mesmas evocam.


2.      Fantasia, realidade, “ser em”

Fantasiar é sonhar acordada, é viver emoções fortes sem romper com os laços tradicionais desta vida que nos ensinou a viver no certinho e no equilíbrio do bom senso, por isso está intrinsecamente ligada à realidade.

Sem fantasiar não saberia viver na realidade, porque é na realidade que aprendo a fantasiar.

Fantasiar e/ou “ser em…” e não, “ser-se…”, é a diferença disso mesmo, ou seja, eu posso ser em Ti algo, sem me alienar e sem me sobrepor a esse “Ti”, que pode ser inclusive uma forma lírica de fantasiar.

3.      Espontaneidade e controlo

Espontaneidade… de facto já fui mais espontânea, já fui naturalmente espontânea, actualmente sou controladamente espontânea, mas de forma natural.

A vida ensinou-me a ser a própria essência de forma natural, e a manter esta minha essência com a mesma pujança com que a juventude se rege, aliás, de outra maneira não poderia ser, pois a essência nasce connosco, contudo, ensinou-me igualmente a controlar emoções, partilhar sentimentos sem magoar, o que por vezes é um desafio à minha própria alma, e acima de tudo ensinou-me a ser naturalmente controlada, mas sem nunca perder a minha própria espontaneidade, sem nunca me perder e me alienar do meu verdadeiro “Eu” como pessoa que sou.


4.      Pensamento, sonho, desejo, facto

Descartes disse, “Penso, logo existo”, é…, é isso mesmo, o pensamento está em mim, dentro de mim e dentro do mais comum dos mortais, está ligado à lógica irracional. Lógica, porque seria ilógico não pensarmos, contudo igualmente irracional, porque nem sempre a lógica faz parte dum padrão de razoabilidade aceitável, logo, trata-se de uma lógica irracional.

Quanto ao sonho, é ele que comanda a vida. Já António Gedeão na letra da música “Pedra Filosofal” o disse, cabe a mim decidir se devo ou não seguir esta máxima, decidi segui-la, caso contrário o que estaria eu hoje aqui a fazer?

Foi de um sonho, de um desejo infinito que se tornou um facto, esta “Louca Sensatez”.


5.      O peso da palavra

A palavra tem peso quando sentida no silêncio do nada, quando sentida naturalmente.

Sentir o peso que ela em mim provoca, independentemente do choque que venha a ter, independentemente da forma como venha a sentir, é a palavra, é o peso dela, que me faz verdadeiramente saber sentir, saber rir e chorar, saber mover montanhas e perdoar, mas sempre, sempre com vontade de querer experimentar novamente sensações, que provoquem um peso que se liberta através da palavra.



6.      Solidão, plenitude, interioridade

A solidão é a minha companhia de eleição, com ela aprendi a gerir emoções fortes, aprendi a criar a plenitude que preciso ter, aprendi a interiorizar, aprendi a conhecer-me melhor, por isso não posso nem quero abdicar desta minha nova companhia.

E nova porquê? Porque foi há poucos anos que tomei consciência da preciosidade do que é saber viver no meio da multidão, e sentir o peso da solidão, aliás de igual modo como sinto o peso da palavra.

A solidão é o meu fio condutor, com ela invoco musas inspiradoras para os meus momentos de escrita, foi na solidão que encontrei a paz e a plenitude interior, e foi na solidão que aprendi também a saber encontrar-me.

7.      Os limites do discurso

O discurso não tem limites, posso discursar pensando, e em última instância o meu limite é a minha imaginação, porque o pensamento não tem limites, logo, se interiorizar o discurso, acabo por concluir que o discurso é infinitamente ilimitado.

8.      Liberdade de ser na palavra

A liberdade foi uma conquista, ainda o é, nada se tem sem esforço ou empenho, contudo e no meu entendimento, liberdade é e será sempre um sinónimo de responsabilidade, logo, serei sempre responsável por fazer da palavra a honra que ela merece ser e/ou ter para ser proferida com alma sentida.


9.      Silencio, transe, loucura, lucidez, harmonia,  sensatez, expressão verbal, silencio…

O silêncio é o aconchego do meu ser, é saber ouvir o silêncio ensurdecedor, sem nunca me conseguir magoar.

Pode ser em estado de transe ou loucura, lucidez ou harmonia, mas é preciso saber ouvir o silêncio, independentemente do estado de alma que me visita.

Faço questão de saber viver com o silêncio, aliás, aliado ao silêncio está a solidão, sou silêncio e também solidão quando deles necessito, por isso, à procura deles vou e não hesito.


10.  Prazer, o corpo na palavra ou a palavra no corpo

O prazer de escrever e ler é igualmente escrever com o corpo, é dançar com vida, mover com ritmos assassinos para matar a sede de dançar, digamos que é uma patologia psicopata, pois a vontade depois de matar, renasce com mais vontade ainda.

O prazer para mim está inegavelmente associado à dança, ao corpo, à palavra, à escrita, à leitura, à sensação de sentir até nada proferir, à sensação de tocar mesmo sem corpo habitar, mas saber sentir para lá do expectável, saber sentir o que é o prazer de viver por cima de amontoados de palavras que provocam o caos e que quero aprender a saber viver no meio dele, no meio do caos.

Ainda estou a educar-me a viver no meio do caos, no meio de palavras sem corpo e de corpo sem palavras, estou a ensinar-me a sentir prazer pelo simples facto de querer viver mais e melhor.

Quero apenas vida em mim…

Vida em Mim que há em Ti, Vida em Ti que há em Mim.