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Entrevista ao Jornal "Inside" - O Jornal à tua medida







I.F. Como se vê a Ana Mascarenhas Pessoa da Escritora?

A.M. Atualmente a Ana Mascarenhas Pessoa não difere muito da Ana Mascarenhas Escritora. Decidi dedicar-me a causas, e a escrita não é exceção. Através da escrita quero denunciar os males da sociedade. Como Pessoa denuncio o que acho estar errado quer seja através dos órgãos competentes, quer seja através de atos próprios, com a escrita faço o mesmo, faço das letras o grito de alerta.


I.F. O que te motiva e leva a continuar a escrever?

A.M. Acima de tudo o que me motiva a escrever são as emoções. Quer sejam elas eufóricas ou disfóricas são as emoções a base da minha motivação, porque tudo me provoca emoção, logo, tudo me motiva. A injustiça, os afetos, o prazer, o deleite, a cobardia, o medo, a ganância, enfim… sentimentos e as suas contradições humanas resumidas numa única palavra… emoções.


I.F. Sei que vem nova obra a caminho. Como nasceu, a razão? O que sentiste enquanto a escrevias?

A.M. Sim, é verdade! Está para breve uma nova obra e nasce na sequência da primeira pergunta, ou seja, decidi dedicar-me a causas. Por razões muito pessoais, decidi fazer da minha própria experiência de vida uma força interior, um alerta, uma denuncia, chamar a atenção da sociedade para o que está mal, o que devemos fazer para mudar, não recear sair da zona de conforto, desafiar os nossos medos e aprender a viver, porque vida só há uma e é nela que temos que apostar.
O que senti ao escrever??! Senti muita coisa. Muitas emoções, contradições, revolta, pena, raiva, mas também, serenidade por me saber livre, por me saber em paz para comigo mesma, por saber que nada fiz para merecer o que me aconteceu e acreditar que um dia o tempo me dará as respostas que hoje não tenho. O tempo aparentemente nosso inimigo é o nosso maior aliado.

Ana Mascarenhas na RDS Lisboa

Ana Mascarenhas esteve na RDS Lisboa para falar sobre o seu próximo Livro "Os Limites do Mal".





No decorrer da conversa entre quem é a Ana Mascarenhas como Mulher e o que faz em Angola, Ana Mascarenhas leu um poema de sua autoria intitulado "Sou Lisboa!"


Sou cidadã do mundo!
Mas hoje choro!

Choro porque sei irei em breve deixar novamente a minha Lisboa

Lisboa que me viu nascer
Lisboa que me viu crescer
Lisboa que me viu florescer
Lisboa que me viu amar
Lisboa que me viu parir
Mas, também, Lisboa que me viu morrer

Hoje choro!
Choro por deixar a minha Lisboa da forma como tenho que deixar
Choro por deixar a minha Lisboa que tanto Amo
Choro por deixar a minha Lisboa, a minha história, a minha Vida, também

Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
E não deixo de Amar cada canto por onde passo
Cada recanto por onde ando
Cada pessoa que trespasso
Cada cultura que aprendo
Mas acima de tudo não deixo de Amar também a Minha Lisboa

A terra que me viu nascer, aquela em que me mataram a Alma
Mas também aquela em que dela faço a Fénix renascida das cinzas

Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
Mas acima de tudo sou Lisboa!


Ana Mascarenhas





A Equipa
Sandra Brazinha e Carlos Pinto Costa



Ana Mascarenhas na RDS RADIO 87.6 FM



Os Limites do mal…

Este livro retrata a vida de uma mulher casada, mãe de dois filhos e, que um dia se apaixonou pela vida. Apaixonou-se de tal modo pela vida que quis segui-la de acordo com os seus princípios, sendo leal a si mesma, mas, ao tomar essa decisão, criou danos colaterais e cruelmente foi julgada de uma forma tão acutilante quanto agoniante, quer pelo marido, quer pelos próprios filhos.

É um livro escrito na primeira pessoa, identidade que a autora já nos habituou, refletindo um passado presente, mas com a certeza, porém, de que o futuro sendo incerto é tão certo como a morte.

Ana Mascarenhas nasceu em Lisboa no dia 28 de Julho de 1969. Trabalha há mais de 20 anos na área das Tecnologias de Informação e Comunicação. Empreendedora na área da gestão hoteleira abraçou um projeto ao qual dedicou, também, parte do seu tempo. No entanto, a sua formação académica pauta-se pela área das Letras. Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos e Minor em Estudos Literários e Artísticos e com uma Pós-Graduação em Gestão de Empresas dedica-se, igualmente, à escrita, leitura e agora muito recentemente, também à fotografia.

Na década de 90 participou ativamente para a já extinta revista “Cérebro, escrevendo artigos sobre Software de Gestão.

Ana Mascarenhas foi à RDS Lisboa, no dia 11 de Setembro, 6ª feira entre as 16 e as 17 horas, falar sobre o seu amor pela escrita e sobre o seu próximo livro "Os Limites do Mal", e também pela sua paixão pela fotografia.
Pode ouvir em 87.6 FM ou em  www.rds.pt

Novo Acordo Ortográfico

Publicação na Revista Nº2 "a Chama folhas poéticas"



Novo Acordo Ortográfico

O Novo Acordo Ortográfico para além de ser uma norma é, antes de mais, uma forma de afirmação sobre a identidade de uma língua.

Ao contrário do que muito se diz e escreve sobre esta matéria, o Novo Acordo Ortográfico nada tem a ver com a perda de identidade ou a aproximação ao Brasil. Antes pelo contrário, reforça a identidade de uma língua e, não de um país, como muito se escreve, e, reforça, igualmente, a língua e a sua única variante nos quatro cantos do mundo, pois, quanto mais pessoas falarem, escreverem e lerem em português, mais rapidamente ela se difunde e poder-se-á tornar a língua oficial de um determinado país. Assim, foi e é, também, através desta norma que a língua portuguesa se tornou a quinta língua mais falada em todo o mundo.

O Novo Acordo Ortográfico visa, ante de mais, grafar de forma coerente a palavra em concordância com a dicção da mesma.

Tornar-se-ia, imprescindível criar mais variantes, para além da variante português do Brasil, dever-se-ia criar outras variantes como, a variante português de Angola, a variante português de Moçambique e, assim por diante, pois, como escrevi, tornar-se-ia mais fácil fazer da língua portuguesa a língua oficial de cada país. Assim como existe a língua inglesa de U.K, a língua inglesa dos E.U.A e, assim por diante, em Portugal, também existe as suas variantes, infelizmente e, até então, apenas uma, a do Brasil, ou seja, é isto que chamamos as variantes de uma língua.

Se tivermos em linha de conta que, a língua portuguesa não é de Portugal, mas, de quem a fala, tornar-se-á mais fácil a compreensão sobre esta temática das variantes. Se a língua portuguesa fosse apenas de Portugal, seria apenas escrita, lida e falada em Portugal e por portugueses, ora, não é esse o caso, pois, a mesma é lida, escrita e falada por pessoas também, não portuguesas e, igualmente, por portugueses que habitam noutras partes do globo. Assim, a língua portuguesa é de todos a que a falam, lêem e escrevem no seu exato momento.

Faço uma analogia com os livros: Os livros que escrevi foram meus até ao momento em que foram publicados, a partir do momento em que os publiquei, deixaram de ser meus para serem de quem os lê. Com a língua portuguesa o caso é semelhante, logo, a língua portuguesa é de quem a fala, de quem a lê e de quem a escreve e, não apenas de um país.

Em relação ao facto, das pessoas menos informadas afirmarem que, o Novo Acordo Ortográfico revela uma perda de identidade e uma aproximação ao Brasil, nada tem de verdade, passo a explicar:
Primeiro: Há muito que deixámos de escrever a palavra “batizado” sem a consoante (-p) ou, até, a palavra “Vitor” sem a consoante (-c) e, nunca ninguém contestou. Se soubermos que as únicas consoantes que “caem” são a (-c e a -p) e, apenas quando não são pronunciadas, está meio caminho andado para uma plataforma de entendimento sem falsas especulações. Obviamente que, outras alterações há, como grafar em minúsculas os dias da semana ou até os meses, mas, pelo que tenho lido e ouvido, esta perda de consoantes é a que tem suscitado maiores dúvidas, logo, más interpretações por as pessoas não estarem devidamente informadas. É muito fácil apontar, é muito fácil dizer: não concordo, no entanto, torna-se imperativo dizer porque é que não se concorda e, quando se explica o porquê dessa não concordância convém, antes de mais, validar a mesma com base em factos e, não apenas em (des)informação.
Por exemplo: a palavra “facto” continua a grafar-se em Portugal com a consoante (-c), isto porque, a mesma é pronunciada, já no Brasil e, por a mesma não ser pronunciada, a palavra correspondente ao mesmo significado é a palavra “fato” sem a consoante (-c). Outro exemplo é a palavra “fato” sem (-c) que, continua a ser grafada em Portugal sem o (-c) por a mesma não ser pronunciada, no entanto, no Brasil a palavra com o mesmo significado é “Paletó”. Como facilmente se pode constatar, em nada nos aproximamos ao Brasil, apenas criamos normas de grafia de acordo com a dicção de cada país.

Fernando Pessoa escreveu:
“A minha pátria é a língua portuguesa”

Esta frase aparentemente complexa, acaba por ser simples. Fernando Pessoa afirma que, a sua pátria não é Portugal mas, a sua língua, independentemente se está em Portugal ou, se é português, neste caso, foi (é) português.
Esta frase refuta também, afirmações como tenho lido e ouvido que, estamos a esquecer os nossos poetas, antes pelo contrário, estamos a dar razão ao que este grande homem da geração “Orpheu” em tempos já afirmou. A sua pátria é a sua língua, é a língua que no exato momento fala, escreve e ouve.

Muito mais haveria para explicar sobre a evolução de uma língua, através da sua rápida difusão histórica. Por isso e, como costumo dizer… a única constante é a mudança, há que mudar para evoluir…



Ana Mascarenhas

Entrevista sobre o Livro "Silêncio Denunciado"





Entrevista de Diego Martinez Lora a Ana Mascarenhas sobre o seu recente trabalho.
"Silêncio Denunciado"


1.      Como surge a ideia de escrever este seu último livro Silêncio Denunciado?

A ideia surge numa forma de repensar a literatura como figura interventiva. Há já algum tempo que comecei a ler os textos publicados nos dois últimos livros e denotei inconscientemente textos que denunciam algo que, na minha forma de estar na vida, são completamente irreais… se assim posso chamar…

2.      O que é que este livro traz de novo ou de particular comparativamente aos outros livros que já publicou?

Traz um tudo e um todo. Começa por ser uma única narrativa ao invés de várias como constam nos livros anteriores. No entanto, se eu refletir melhor, o livro Silêncio Denunciado também pode ser visto como tendo várias narrativas, uma vez que os seus capítulos, embora com um sequência lógica, revestem vários males das várias sociedades. E, é precisamente devido à sua sequência lógica que o livro Silêncio Denunciado acaba por fazer parte do universo literário romancista.

3.      Que novos desafios enfrentou ao escrever Silêncio Denunciado?

Alguns! O maior foi, talvez, a estrutura da obra em si. Sabia que queria escrever sobre todos os males que habitam no mundo, mas, sabia ser impossível, assim, acabei por dedicar-me àqueles que mais me tocam em particular, talvez pela forte presença, ainda, destes males nas várias sociedades. No entanto, também, não posso deixar de denunciar que, vestir o papel de uma personagem que se revê em várias foi o maior desafio. Queria que o livro fosse intenso, provocasse emoção e, ao mesmo tempo, não queria desenvolver muitas personagens, logo, teria que estruturar muito bem a obra, de forma a que o leitor quando a fosse ler, percebesse que uma única personagem poderia representar várias, sendo ela própria divisível através da procriação…por outro lado e, como é evidente, acabei por abraçar da(s) personagem (ns), aquela dor mais acentuada. Aquela que todos sabem que existe, mas calam…


4.      Como está estruturada a obra?

Como referi, a obra está estruturada por capítulos que antevê uma narrativa formada por uma sequência lógica na história apresentada. Cada capítulo representa um tema e, em cada tema pode ser facilmente identificado a origem da dor incluída no próprio tema. Ou seja, existem algumas particularidades na narrativa de cada capítulo, que antevê se o mesmo se passa, por exemplo, na Índia, na China, em África, Europa ou, em que Continente a atrocidade em si é mais (in)visível. Escrevi (in) porque, efetivamente, a atrocidade é visível, mas nós, humanos teimamos em torná-la invisível.




5.      Quais são os personagens principais de Silêncio Denunciado?

Eu diria que existem três grandes personagens principais: A mãe de Alma, a Alma e o pai adotivo de Alma. No entanto e, como referi anteriormente, a Alma representa em si várias mulheres das várias sociedades, incluindo, como é óbvio, a sua própria mãe que, apesar de ter sido lapidada foi quem deu corpo à obra…

6.      Qual é a distância (ou proximidade) entre a autora, a narradora e as personagens, uma vez que por vezes se tornam quase indistinguíveis nos sentimentos que expressam?

É natural que a distância seja praticamente nula na maneira de sentir, no entanto, e, devido à proximidade física ser o reflexo da distância geográfica, é natural que haja uma certa diferença, uma vez que estou apenas a descrever o que supostamente sinto, mas não sinto, porque não vivi, realmente, nenhuma das atrocidades reveladas na obra. Diria que, me aproximo como autora e narradora dos sentimentos mas, também, me distancio não só geograficamente, mas, porque apenas suponho sentir o que deveria sentir se vivesse o que narrei…

7.      Acha que aquilo que denuncia é claramente injusto e desumano aos olhos de todos?

Hesitei muito nesta resposta. Ao princípio pareceu-me bastante lógico responder afirmativamente. Afinal, somos humanos e a dor alheia faz-me (nos) doer, também. No entanto e, depois de refletir um pouco percebi que, se fosse claramente injusto e desumano aos olhos de todos, não haveria a necessidade desta obra ter nascido. É óbvio, claro e inequívoco que a justiça não é absoluta, a verdade também não, no entanto, existe um sentimento que é comum e atrevo-me mesmo a dizer, absoluto, é ele a dor, logo, sendo a dor absoluta, pese embora sentida de diversas maneiras em diferentes seres, o que é um facto é que não deixa de ser dor, assim, denunciar as atrocidades que determinados seres provocam em outros seres, mesmo aqueles que nada fazem mas sabem que existe, torna-se imperativo, caso contrário, esta obra não teria nascido…

8.      Em Silêncio Denunciado aparece quase todo o tipo de sofrimento por que passam muitas mulheres pelo mundo fora, descrito através das poucas personagens do livro, sem que se detenha muito com detalhes geográficos e históricos. Quer com isto dizer que o sofrimento é universal e que todos temos a nossa quota-parte de culpa nessa partilha silenciosa?

Sem dúvida! O sofrimento sendo um sentimento é único e universal, também. Todos temos a nossa quota-parte de culpa em todo e qualquer sofrimento alheio, no entanto, a ausência de detalhes prende-se, essencialmente, com o facto de eu querer chamar à razão o que é realmente importante. Receei, confesso, que, os detalhes aflorassem a obra, tornando-a menos dura e, o que pretendi foi, precisamente, dar um murro no estômago, denunciar sem falsas modéstias um falso moralismo, sendo direta, assertiva e consistente.




9.      A sua definição de literatura tem vindo a mudar desde que começou a escrever os primeiros textos?

Sem dúvida! Pese embora a base esteja lá, o meu cunho pessoal seja indiscutivelmente inconfundível, o que é certo é que, a minha escrita tem-se revelado mais acutilante. Desafio-me a ser menos discreta, se é que algum o fui, pelo menos com as palavras, mas, acima de tudo, desafio-me a ser mais ofensiva sem ofender, agressiva sem agredir, desafio-me, inclusive, a provocar as palavras para elas abanarem mentalidades, ou seja, provocar no sentido de despertar, de desafiar o ser humano, a sua reputação, a sua imagem, tornando-o frágil, quebrável…
Encontrei na literatura não uma definição, mas, antes uma revelação, uma nova forma de agir, ser e estar… atuar interventivamente através da escrita foi o que descobri em mim sem procurar…

10.      Que novos projetos tem em mente?

Tantos e tão poucos! Muitos e nenhuns…
De facto, parece um paradigma o que acabei de escrever, mas, a realidade é que tenho estado imersa em vários projetos, nomeadamente, numa autobiografia, num livro de citações próprias, numa biografia de uma determinada personagem, num livro de poesia, mas… enquanto não concluir pelo menos um, posso dizer que estou absorvida em muitos e em nenhuns ao mesmo tempo e, também, tantos, porque de facto, são alguns, mas, poucos para o que pretendo ainda fazer…


11.      Que tipo de reação antevê dos seus leitores a este novo livro Silêncio Denunciado?

Esta é a pergunta mais difícil de responder. Não sei! Talvez uma reação semelhante às anteriores obras, uma vez que o meu cunho, como já referi, nunca esteve ausente… mas, acrescento que, a expectativa é alguma…

Vídeo "Artes e Cultura" da RDP Internacional


O Vídeo da Entrevista do Programa “Artes e Cultura” de Jaime Ferreira de Carvalho da RDP Internacional já se encontra disponível. Basta clicar no lado direito do blogue, na opção “Entrevista Digital a Ana Mascarenhas” e, selecionar a opção “Entrevista no Programa Artes e Cultura da RDP Internacional”. Ou, poderá clicar no link em baixo da imagem e ouvir a entrevista na sua totalidade. Obrigada!




Ana Mascarenhas na RDP Internacional


Ana Mascarenhas esteve no dia 10 de Maio de 2012 no programa de Jaime Ferreira de Carvalho, Artes e Cultura da RDP Internacional para falar sobre os seus livros e a cultura em geral...









Entre outros textos, leu um texto do seu segundo Livro Em Carne Viva dedicado às Vozes da Rádio


De novo a história do carro.
De novo a inspiração na condução.

Se pudesse escrever tudo o que pela minha mente passa enquanto conduzo, não haveria papel nem tinta que chegasse para preencher o vazio que sinto, por nada poder escrever e apenas conduzir. E enquanto conduzo reparo que novo hábito se instala em mim, será da idade ou será mesmo assim?


Agora, as músicas que outrora aprendi a escutar, escuto-as igualmente, mas com pausa de rádio na mente. Sim, mas não é uma pausa qualquer, é um intervalo na música para dar lugar à voz.

Oiço e imagino, sinto também, que são vozes de rádio, vozes sem cara mas com corpo, vozes com palavras e posturas próprias, de modo a deixar correr a imaginação, como será aquela criatura, como será aquela viva alma que dá vida à rádio de corpo sem corpo.

Ao ouvir vozes bonitas, gargalhadas contentes, sorrisos com vontade e alegrias partilhadas, penso para mim: “utópico dizer, mas como se consegue através de uma voz, transmitir a visão dos gestos que esse corpo de voz se faz sentir e ver também?”

Consigo ver a voz e não apenas ouvi-la, consigo senti-la e não apenas escutá-la, fantástico mesmo. Mas eu, eu não tenho uma voz bonita, não tenho a sapiência dos convidados nem tão pouco sou conhecida pelo que apenas sou, porque haveria eu de ser alguém, ou igualmente ter voz que ouve, sente e vê? 

Imagino a que cara pertence determinada voz sem rosto, imagino o que poderia aprender com ilustres convidados que vivem da erudição de uma vida intensa em estudo e, igualmente em sabedoria.

A conclusão é aterradora, pois não tenho uma voz marcada, nem uma presença firme, quanto mais a sabedoria de alguém que sabe ser a cultura e a perícia, de uma vida de esforço e determinação, a mais que não seja, por uma luta, uma causa, um motivo e até uma vontade. 

Mas de facto apenas oiço e imagino.

Imagino-me ser a convidada e porque não a jornalista, quem sabe a locutora e também a escritora, mas imagino sempre vozes com garra, vozes com brilho e vozes com vontade de se fazerem ouvir.

E no entanto ao imaginar que rosto terá aquela voz, que face terá aquele corpo, apenas constato que novo hábito se instala, por querer ouvir e imaginar, vozes que dão vida à voz e até gestos que dão existência à alma. Pois, apenas a voz que oiço me faz imaginar que gestos estarão a fazer enquanto falam e trabalham?

Oiço e escuto, divago e penso, oiço e ausculto e novamente vagueio e devaneio.

São lindas vozes de corpo ausente, são fenómenos com voz e com som presente, são vozes com cheiro e tradição, são toques de vozes que nos fazem fantasiar. 

E eu aqui a escrever e a esforçar-me para me lembrar, o que tanto queria rabiscar, o que tanto me inspirou numa tarde de rádio com som de vozes e sem som de música. 

Afinal, escrevo apenas para recordar, para me acalmar e nada consigo nesta vida fazer, a não ser escrever com som de teclas e devaneios sem voz.

Pois, afinal tudo esqueci e nada escrevi. 



Que voz tenho eu para fazer nascer algo que arrepie e denuncie?
Que voz tenho eu para agarrar com vontade e nascer sem crueldade?
Que voz tenho eu na alma e no corpo, na vida e na mente?

Diz-me apenas se me faço ouvir?
Diz-me apenas se me faço sentir? 

Mas diz-me…
Diz-me que, mesmo calada e sossegada me ouves.

Assim, serei a voz de alguém, saberei ter voz e também ser voz, que se faz ouvir com palavras escritas e nunca faladas, mas que se faz entender e até perceber, que se faz sentir e até amar, porque afinal, também escrevo e o corpo não me vêem, de igual modo que escuto uma voz com corpo, mas não o vislumbro por ser voz de rádio.

Se assim é, serei sempre a tua voz, não é bonita nem firme, mas é e será sempre uma voz, a voz da luta e da conquista, a voz da dor e da ignorância, mas será sempre uma voz.

Uma voz com corpo e presença sem rádio.


Ana Mascarenhas in Em Carne Viva





 

Vídeo do Programa "Conversando" da TVL

O Vídeo da Entrevista do Programa "Conversando" da TVL já se encontra disponível. Basta clicar no lado direito do blogue, na opção "Entrevista Digital a Ana Mascarenhas" e, selecionar a opção "Entrevista no Programa "Conversando". Ou, poderá clicar no link em baixo da imagem. Obrigada!


Isabel Fontes recebeu Ana Mascarenhas no 1º programa”Conversando”. Para falar de “Louca Sensatez”, “Em Carne Viva”, “Vazios da Escrita” os livros da autora.

Quem é Ana Mascarenhas?
“Curiosamente quando falo sobre mim, não consigo escrever na primeira pessoa é como se me alienasse de mim e estivesse a escrever sobre alguém que conheço bem, que me é próximo, mas não sou eu.”

Gravação para o Programa "Conversando" da TVL

Algumas imagens, ainda em fase de ensaio, para a gravação do programa
"Conversando" da TVL







Ana Mascarenhas na Revista Novos Talentos


A Autora Ana Mascarenhas encontra-se na Revista Cultural de Novos Autores intitulada
Novos Talentos






Sugestões de Leitura da Revista Novos Talentos


Artigo Publicado


Ana Mascarenhas nasceu em Lisboa no dia 28 de Julho de 1969.
Presentemente reside no Concelho de Mafra ao qual faz honras em morar junto ao campo, junto à praia e perto do silêncio da solidão recheado no meio da multidão, ou seja, perto da capital, Lisboa.

Trabalhou cerca de 20 anos na área das Tecnologias de Informação e Comunicação, no entanto, a sua formação académica pauta-se pela área das Letras. Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos e Minor em Estudos Literários e Artísticos dedica-se, atualmente, à escrita, leitura e respetivas traduções e revisões literárias.

Por convite publicou três livros escritos em prosa poética e poesia narrativa.
O primeiro intitulado "Louca Sensatez" reflete a sensualidade e o erotismo feminino, foi publicado em 2009 pela Editorial100 através da chancela Torre de Gente.

O segundo intitulado "Em Carne Viva" reflete o crescimento da pessoa na sociedade e, foi publicado um ano depois, 2010, igualmente, pela Torre de Gente.

O terceiro intitulado "Vazios da Escrita" representa o crescimento interior da pessoa. Um livro prefaciado pelo escritor, filósofo, ensaísta e professor Miguel Real. Este último foi publicado em 2011 pela chancela da EdiumEditores.

No presente ano, 2012, irá publicar o seu primeiro romance. Não se trata de um romance cor-de-rosa, antes é um romance interventivo. Retrata os vários males que habitam nas várias sociedades de um mundo que se diz globalizante.

Reflete temas tão atuais como cruciais. Lapidação, mutilação genital, violação, tráfico de órgãos humanos, barrigas de aluguer, infanticídio feminino na China e muitos outros temas que se dizem fazer parte das várias culturas de vários povos, são os principais ingredientes que marcam esta nova faceta da sua vida literária.

O seu cunho pessoal distingue-se na forma como escreve, sendo que, a primeira pessoa é o fator primordial. Independentemente do género a que se refere, seja poesia narrativa, prosa poética, romance, tese, ensaio ou reflexão, a escrita pauta-se sempre na primeira pessoa do singular.

Digamos que se trata de uma roupagem diferente no modelo literário.

Ana Mascarenhas não pretende de modo algum publicar muitos livros, apenas um por ano, de forma a deixar crescer cada rebento seu e, apenas livros que sejam paridos da Alma.

Cada letra, cada palavra, cada frase, texto e seu respetivo significado são todos eles nascidos da Alma, apenas ela, a Alma, dita o que escreve, como escreve e onde escreve. O tempo e o espaço são da Alma, as regras, também, o conteúdo, nem se fala e a forma a ela pertence. A vida que habita no corpo, na mente e na Alma da Ana Mascarenhas faz dela o que ela é: Igual por ser humana, mas única por ser a Ana.

Entrevista a Ana Mascarenhas


Entrevista de Diego Martinez Lora a Ana Mascarenhas


1.      Como se reflectem os teus estudos de Literatura na tua escrita. Sentes que estás a evoluir?

Sem dúvida. Aliás, o regresso aos estudos será um regresso permanente. Ao contrário do que se costuma dizer, o saber ocupa sim, um lugar, a mais que não seja, o lugar da ignorância. Os estudos têm-me permitido uma melhor reflexão com e na escrita, tenho aprendido a desenvolver e a clarificar melhor as minhas ideias e os meus ideais de vida.


2.      Como actua a autocrítica em ti?

Cada vez pior… ou melhor, não sei!
Sou cada vez mais exigente, não consigo escrever apenas um único tema, tenho obrigatoriamente que variar, escrevo temas amorosos e desastrosos, reais e irreais, verídicos e fictícios, mas são sempre temas que requerem alguma reflexão.
A minha exigência pautou-se essencialmente com o que chamo “dar tempo à escrita”… não escrevo por escrever, escrevo quando sinto essa necessidade e dela nasce algo que, de uma forma ou de outra, me obriga a reflectir sobre o que quero, de facto, escrever, coisa que não acontecia… há muito…


3.      Quais são os comentários que gostavas ouvir dos outros?

Sinceramente, sinceramente… não me agrada ouvir apenas o “gosto” ou o “simplesmente belo”, gostava que me lessem com gosto de ler, que me criticassem de forma construtiva, como é óbvio, mas gostava de ouvir algo que não fosse apenas, o “adoro”… gostaria de ouvir algo como uma reflexão sobre determinado texto, enfim… algo com que eu também me identificasse ou aprendesse, ensinando, igualmente…


4.      Qual é o teu sonho de (como) escritora?

Gostaria… sem sombra de dúvida de ser reconhecida como tal.
Não, ser reconhecida para ser conhecida, mas, antes de mais, ser reconhecida pelo mérito, se é que o tenho… não sei, apenas os leitores o podem avaliar e para isso, é preciso lerem-me, estudarem-me, compreenderem-me, isso para mim era o suficiente, era mágico, era o reconhecimento do “esforço” de um trabalho pelo qual faço com gosto e por gosto.


5.      Quais são as tuas principais motivações para escrever?

São várias, aliás, penso que já tive oportunidade de o dizer, mas, acima de tudo, é a vida. O que se passa entre nós, humanos, os sentimentos que nos percorrem, quer sejam justos ou injustos, mas é o sentido deste mundo que se inclui num universo que desconhecemos, mas teimamos em julgar, que tão bem o conhecemos…



6.      Quais são os prós e os contras duma rede social como o FB para um escritor?

São os mesmos que temos na nossa vida, afinal, o que é uma rede social? É a nossa vida que, pode ser vivida socialmente palpável ou socialmente virtual… ambas são espelhos de ambas…

Os mal entendidos existem, os falsos amigos também, ele há igualmente os verdadeiros e, também, os esclarecimentos, as aprendizagens, o ensinamento… não passa de uma ferramenta de nova geração, a da comunicação, mas não é ela, a comunicação já o meio mais antigo e utilizado para uma boa plataforma de entendimento…?! O que muda? Apenas o meio…


7.      O teu prazer de escrever é o mesmo que o de ler?

São prazeres distintos. O prazer sendo um sentimento não pode ser medido, quantificado, logo, é apenas sentido, logo é um prazer sentido mas distinto.



8.      O que exiges dum escritor para poderes gostar do que escreve? Ética e estética:

Exijo acima de tudo conteúdo, através do conteúdo posso sentir a ética, a Alma…se escreve com ou sem Alma… ou, pelo menos, se escreve com Alma de quem sente… a estética apenas se for e, como disse, através de uma beleza interior que transparece nas letras que solta…


9.      Entre um poema e um romance: duas inteligências diferentes?

Sim… duas inteligências diferentes que se podem ou não cruzar dentro do mesmo autor, da mesma Alma, da mesma pessoa… no entanto, e, caso apenas uma se dê, apenas e só numa pessoa, não é por isso que essa pessoa seja ou não, mais ou menos inteligente, é apenas uma questão de alargar ou não horizontes…


10.      Sentes que a autocensura diminuiu em ti?

De todo, aliás, está cada vez mais presente, pois, sinto que estou cada vez mais exigente comigo própria, logo, a autocensura acaba por ser uma consequência dessa exigência.


11.      Estás ciente dos recursos literários que utilizas?

Perfeitamente. Tenho plena consciência que escrevo na 1ª pessoa, independentemente de se tratar de uma pessoa, terra, objecto ou outro… no momento em que escrevo, sou o que escrevo e descrevo. Uso muito a assonância, o paralelismo, os analogismos, a personificação e até a inversão, entre outros, claro.

Curiosamente, aqui há tempos pediram-me que escrevesse algo sobre a minha pessoa e, por incrível que pareça e, pese embora escreva sempre na 1ª pessoa, não consegui escrever na 1ª pessoa mas sim na 3ª pessoa, talvez por se tratar de mim, não sei. Porque será? 


12.      Entre o espontâneo e o programado, entre a inspiração e o trabalho literário…

O que é espontâneo é natural, é a nossa Alma a pedir que se solte, é a aliança perfeita entre a inspiração e o trabalho literário. Não consigo escrever de forma programada. Aliás, estou a escrever um romance que me está a dar um especial gozo, porque não o escrevo seguido, de forma programada, escrevo-o quando a espontaneidade e a inspiração estão dentro de mim, chamam por mim…invocam a minha criação literária como se dela elas precisassem…para respirar, para viver…


13.      Pensas que até agora “Louca Sensatez” foi o teu melhor livro?

Não direi o melhor, mas direi diferente, único, singular, até porque por ser o primeiro, retrata temas delicadamente «chocantes» para mentalidades menos sensatas.



14.      Quais são os teus escritores preferidos?

Póstumo é Fernando Pessoa. Gosto de o estudar de perceber a sua mente… foi um escritor complexo, inovador, criativo, raro até…

Recentemente póstumo e, como não podia deixar de ser, Saramago. Foi um escritor polémico, algo que até hoje a igreja não entendeu, pois e, pese embora se tenha intitulado ateu, o facto de se questionar, de escrever sobre Cristo, a sua polémica… não deixa de ser um acto de acreditar em algo… algo que a igreja nunca quis ver… acho que, acreditava mais do que muitos padres, sacerdotes e pessoas que se intitulam crentes…

Obras menos complexas mas que nos fazem igualmente pensar, são as de José Rodrigues dos Santos, gosto do que escreve, da sua postura literária, da sua dedicação e investigação…

Estaria aqui uma eternidade a citar escritores da época clássica, romântica, modernista e até, obviamente, contemporânea… são muitos…




15.      Entre Saramago e Lobo Antunes?

São escritores diferentes. Enquanto Lobo Antunes dedicou mais as suas obras entre a Liberdade de Expressão (Antigo Regime) e o actual regime, Saramago escreveu sobre variadíssimos temas, desde temas históricos, como Cristãos vs Pagãos, como Filosóficos e muitos outros…talvez pela sua natureza de origem humilde, sempre reivindicou a justiça social de uma forma ou de outra, nas suas obras literárias…


16.      Existe uma escrita feminina?

Penso que já tinha respondido a esta questão…e, citando o que respondi anteriormente, digo:
Não acho que as literaturas tenham que ser femininas ou masculinas, até porque a literatura não tem sexo, mas existe uma clara tendência para determinadas leituras serem absorvidas por seres femininos e outras por seres masculinos, no entanto, e no meu ponto de vista, toda e qualquer literatura é e deve ser absorvida por seres de ambos os sexos, como disse, a literatura não tem sexo.


17.      A escrita é proporcional à insatisfação ou é o reforço da felicidade?

Ambas. A escrita é um acto solitário, biográfico e narrativo. Revela-nos, acusa-nos e delata-nos. Mas, acima de tudo, a escrita é a arte de comunicar, revela a insatisfação e a felicidade alheia, mas igualmente nossa…


18.      Como escolhes os livros quando estás com vontade de ler?  Quais são os teus hábitos de leitura?

Actualmente e, devido à Faculdade escolho livros que me fazem pensar menos, pois, sinto a cabeça algo esgotada, mas o meu hábito de leitura é diário. Actualmente estou a ler “Memórias de Adriano” de Marguerite Yourcenar. Foi o que comecei a ler antes de começar o segundo semestre e espero terminá-lo em breve.


19.      O que é o que mais te desanima na tua actividade de escritora?

A falta de aposta na Cultura… Todos os sucessivos Governos nunca apostaram na Cultura do nosso país, nem tão pouco as editoras, pois são meros ofícios de gerador de dinheiro, deveriam, ambos, entre outras instituições literárias, apostar mais nos novos escritores, na potencialidade que existe no nosso país, é um caminho difícil, penoso até, mas quando se escreve por gosto, tudo se torna ultrapassável…


20.      Já escreves respeitando as pautas do novo acordo ortográfico?  

Confesso que não. Não porque esteja contra ou a favor, mas é mais fácil criar um novo hábito, do que tirar um, já criado.