Iceberg Angola - Madrinhas do Projeto






Daniela Santiago e Isabel Batata Doce


Iceberg Angola - Responsabilidade Social

Embora o lucro seja um fator essencial para uma empresa sustentável, existem muitos outros fatores que preocupam as organizações. A preservação e o respeito pela sociedade são, cada vez mais, uma prioridade. 

Apostar na responsabilidade social, promover a inserção social, assim como, ter uma intervenção direta no contexto sócio económico, auxiliando na resolução de possíveis problemas sociais e ajudando instituições a melhorar os seus serviços são, uns dos vários pilares em que esta obra se insere.

Para isso, apresento um caderno de patrocínios que tem como principal objetivo angariar fundos para aquisição de medicamentos, bens de primeira necessidade, roupa, brinquedos, produtos de higiene, entre outros, para os Musseques de Angola.









Devolveste-me o Choro!

Um doa poemas que faz parte da antologia poética OPUS



Devolveste-me o choro.
Mas levaste-me o sorriso.

Devolveste algo que eu pensei estar perdido há muito tempo.
Perdido ou esquecido? Bem, não importa.
O que é certo é que devolveste.

Devolveste algo que reflete uma das características humanas, mas com ele, levaste-me o sorriso, algo tão importante como o choro.

Gostava que o choro e o sorriso andassem de mãos dadas, para me sentir mais humana e não este poço de insensibilidade fora do comum.

Depois de sentir a dor da rejeição de alguém que  carregamos 9 meses dentro de nós, tornei-me a pessoa mais fria que existe ao cimo da terra.

Mas tu... tu presenteaste-me o choro com a tua ausência, e em troca levaste algo que me acompanhou com a tua presença, o sorriso.

Mas o choro não se fez rogado, não querendo ficar sozinho decidiu acompanhar o sorriso também.
E eu sozinha fiquei.
Sem sorriso e sem choro novamente.

Em mim voltou a habitar a frieza e a apatia que me tornam a pessoa mais insensível que alguma vez conheci.
A dor deve ter reconhecido o seu habitat e regressou em flecha para ele.
Agora estou acompanhada da dor, e com ela veio também a insensibilidade e a frieza.

Devolveste-me o choro, mas ele não quis ficar.
Em troca levaste o sorriso e deixaste a dor.


Ana Mascarenhas

OPUS

Colectânea Selecta de Poesia em Língua Portuguesa
Participação de 4 poemas da autoria de Ana Mascarenhas





Iceberg Angola - Discurso de Apresentação

Boa tarde a todos(as)!

E, antes de começar o meu discurso, quero agradecer a Vossa presença neste evento.
Um Obrigada a todos(as) por me apoiarem estando aqui numa quinta feira ao final do dia, por apreciarem o meu trabalho, e por gostarem desta nova faceta da minha Vida que, confesso, tardiamente descobri, por isso e muito mais, o meu Obrigada!

Eu comecei a fotografar há cerca de 2 anos e não fazia a mínima ideia o que me esperava.
Não sou uma fotógrafa profissional, sou uma perfeita amadora, mas, completamente apaixonada pelo que faço. Tudo o que aprendi foi via youtube, muitos clicks fracassados e outros recheados de sucesso, muito treino, persistência, mas acima de tudo, muita paixão e sede de querer aprender sempre mais e mais…

Foi através de um convite de uma grande amiga minha que entrei para estas lides fotográficas, entrei para um projeto de nome “VêSó”, em Angola. Um projeto que visa, essencialmente, criar um registo fotográfico dos bairros (musseques) de Angola, para que as gerações vindouras possam ter um testemunho de como as gerações anteriores viviam.

Comecei com um telemóvel, depois com a câmara emprestada da minha mãe, até que chegou a altura e decidi comprar a minha primeira câmara fotográfica.

E, aos poucos, a minha paixão foi crescendo, e foi crescendo numa direção:
Captar a essência humana, captar a dignidade humana, captar momentos únicos e tão próprios de uma sociedade reduzida a pó, a cinzas, captar a Alma de um povo sofrido, mas sempre com um sorriso nos lábios.

Nunca em momento algum, quando comecei nesta minha “Era” dos clicks, pensei em publicar um livro de fotografia. Mas, o portfólio foi crescendo, o registo fotográfico foi tomando proporções algo inimaginável e, foi de um momento para o outro que nasceu a ideia de publicar algo que acho merece ser partilhado.

Chamar o “Horror da Beleza” a um dos quadros ao qual fiquei em 3ºlugar num concurso fotográfico, lançado pela petrolífera Total foi, também, o mote que deu origem à pergunta: Porque não?

Porque acredito que, em todo o horror consegue-se captar, também, a beleza.

O Livro “Iceberg Angola” revela, como a própria palavra diz, a profundidade de um país, o outro lado de uma Angola que não se vê a olho nu, é preciso saber observar, é preciso desafiar o medo ou o receio, é preciso constatar de alguma forma que essa Angola ainda existe.

Criei uma capa que revela isso mesmo. Um menino que esconde debaixo da sua cabeça o seu corpo (a outra Angola), a boca tapada por uma água escurecida (o petróleo), orelhas a descoberto, porque podemos ouvir, mas devemos ter cuidado com o que falamos. Perfeitamente (a)normal quando se tem o síndrome da guerra.

Captar estes momentos, a vida de um povo sofrido, a essência de um povo subnutrido, mas registar algo que quero acreditar ter os seus dias contados. Quero acreditar que este testemunho em forma de livro seja visto de uma forma crítica, mas construtiva, para que todos nós que fazemos parte desta sociedade, desta aldeia grande a que eu chamo mundo, possamos mudar a vida deste povo, a vida deste e de outros povos, porque não é só em Angola, não é só em África, Ásia está cheia de pobreza recheada de miséria.
É impreterível que façamos algo, é indispensável que as organizações acordem, é urgente que mudemos as nossas prioridades. Os valores humanos estão a perder-se à velocidade da luz, o que importa é a riqueza material, o que de facto interessa é a matéria, quando na realidade não somos mais que meros peões à procura de algo comum. A felicidade!

A prova disso está nesta livro, crianças que nada têm, mas nunca o sorriso lhes falta, pessoas que tudo lhes falta, mas não perdem a esperança de ser felizes, fazem da dança o seu refúgio, dos seus sorrisos as suas casas.

Sorriem, cantam e dançam à luz do céu sem estrelas, com pés descalços de terra batida, atravessando oceanos de esgoto para irem à única casa onde conseguem ter fé. Uma falsa fé, é certo, porque ainda há quem se aproveite da desgraça alheia para enriquecer à conta, mas é assim que eles são felizes, e porquê?

Porque uma nação começa com a educação e essa, essa continua a não ser a prioridade de muitas nações.

E, mais não digo, estaria a desvendar algo que pode facilmente ser visível através do livro “Iceberg Angola”.

Fiquem com o livro “Iceberg Angola” e apreciem o que de belo deve ser apreciado mesmo que o horror ainda nos choque.


Bem hajam!

Ana Mascarenhas

19 Nov 17 


Iceberg Angola - Prefácio

Entre o sonho e a realidade
Entre a inverdade  e a verdade
Entre a liberdade e a vontade
Sonetos veneram a meninice da terceira idade 
Em desapego  a velhice da mocidade

Quando as palavras que o vento leva já cá não estarão 
A correnteza dos tempos e desvaneios da longa procissão 
Novos entes nova canção nesta mesma Nação 
A imagem em foto aqui continuará a cumprir com a sua missão 
Para a memória colectiva de todos os irmãos

Quando acedi ao desafio convite, de Ana Mascarenhas, para em papel deixar a minha leitura/visão do material fotográfico que de forma muito compenetrada ela depositou em minhas mão e disse:

 " Nelson quero que sejas tu a escrever o prefácio deste livro"... Dizia eu, não fazia  noção da empreitada que me havia metido. Contudo, aqui estou idilicamente embriagado, entre palavras e frases a compor e dar sentido a tamanha responsabilidade de dar-vos a conhecer a presente obra.

Como ser indiferente num continente onde as cores quentes do dia-a-dia exalam os mais variados odores, onde o nosso olhar tateia sabores e amores que transportam o nosso imaginário para galáxias cósmicas que de regresso escalamos esta linda terra que é Angola. Em que o sorriso rasgado da criança comprometida com o futuro calcorreia, ainda, o lamaçal da chuva teimosa que lá mais distante fez crescer a fruta que a mãe zungueira comercializa para alimentar os seus. Onde o velho cidadão  viu chegar, de todas as partes, compatriotas seus fugidos da guerra que protelou o porvir da Nação. 

A sensibilidade e a necessidade de inserção de Ana Mascarenhas, enquanto estrangeira, para as coisas da terra leva- a a percorrer e  registar para a posteridade, as mais diferentes realidades deste Pais....

O kandengue do sorriso único sem igual 
A kindumba da zungueira que prende o olhar
A tez envelhecida do velho que anseia melhorar...

Para lá do crescimento, do surgimento de novas urbanizações e do asfalto, ainda, há uma realidade que urgentemente precisa ser revertida. E a fotografia com todo o seu poder, técnica, emoções e capacidade de registar para a posteridade não devera, nunca, usar filtros para somente exaltar o belo e ocultar o menos belo. E é com este olhar de cidadã, mulher, mãe, filha ou irmã  que a neófita Fotógrafa Ana Mascarenhas percorre com a alma e o coração pedaços de nós. Que não escamoteadas, deverão servir de barómetro para o reunir de forças e juntos fazermos desta outra realidade, quanto antes, memórias passadas da nossa recente história. 

Ana Mascarenhas  que no campo literário dispensa qualquer apresentação tem no mercado cinco ou seis obras onde na primeira pessoa denuncia, nos mais variados estilos literários, a violência a segregação e demais atrocidades deste nosso Mundo.

Ana Mascarenhas, nesta nova empreitada, inicia assim um novo trilhar na arte de bem fotografar e o de registar os momentos em imagens.

Ana Mascarenhas a Escritora
Ana Mascarenhas aqui e agora a Fotógrafa! 

Convido-os a acompanhar  e desvendar o que vai para lá da ponta deste Icebergue através do olhar de Ana Mascarenhas

           Nelson Silvestre
        06 de Março de 2017


Iceberg Angola - Palavras Prévias


Tudo começou com um convite da minha Amiga Cátia para me juntar a um grupo de fotógrafos profissionais e amadores que pretendiam fazer o registo fotográfico dos bairros de Luanda, os musseques, para que as gerações vindouras tivessem um testemunho visual de como as gerações anteriores viviam antes da requalificação urbana chegar. Em Angola passamos por bairros como o Sambizanga, o Rangel, o Cazenga, a Ilha e muitos outros, dentro e fora de Luanda.

Este grupo de nome VêSó foi o maior impulsionador pela minha paixão fotográfica.
Com a família VêSó cresci como pessoa, pois deram-me a oportunidade de penetrar em musseques que até então era impensável entrar, deram-me a oportunidade de conviver com gentes destes bairros, pessoas como nós, que nada têm, mas estão sempre dispostas a mostrar o seu sorriso, crianças que estão sempre prontas a pousar para a câmara, a brincar connosco e até acompanhar-nos nas nossas saídas pelos bairros adentro.
Por isso, tenho que dizer um grande bem haja a esta família, à família VêSó que, sem ela este livro não seria possível, sem ela eu não teria aprendido tanto sobre fotografia, e sem ela não teria me apaixonado por esta nova faceta que em mim descobri. Obrigada, Família VêSó!

Posso então assumir que me tornei uma Amante da Fotografia, não sou profissional, antes pelo contrário, sou uma perfeita amadora, mas traduzo a fotografia como uma forma de Arte. Obviamente que todos os fotógrafos vêm a fotografia como uma forma de Arte, mas sei que os profissionais trabalham a fotografia para que a mesma se aproxime ao máximo da realidade, uma espécie de: “What you see is what you get”, no meu caso eu sinto ser diferente, eu vejo a fotografia e trabalho-a da forma como a vejo é certo, mas dou-lhe uma roupagem de acordo como a minha Alma traduz a imagem. Não trabalho a fotografia de acordo com a realidade das cores que elas estão no exato momento, por exemplo, trabalho com as cores que a imagem me transmite no momento em que a tiro. É a forma como a vejo, como a sinto e até como cheiro o local onde tiro a fotografia, tento de alguma forma produzir todos os meus sentidos na edição da imagem, no momento em que tiro a fotografia.

Isto para mim também é uma forma de Arte.
Por vezes questiono-me:
Existe Beleza no horror? Sim, infelizmente também existe.
Ou, existe horror na Beleza? Claro, também existe e uma vez mais, infelizmente.
O que pretendo dizer é que tento de alguma forma extrair de toda a negatividade que existe em redor da imagem algo de belo, porque quero acreditar que existe sempre algo de positivo dentro do negativo ou do horrível, para não ser mais acutilante, mas de facto quero acreditar que existe sempre, mas sempre algo de bom, de belo e de positivo dentro de toda uma negatividade que envolve o ambiente por onde passo para tirar este tipo de fotografias. Por isso, o nome, Iceberg.

O Iceberg mostra-nos apenas a ponta dele mesmo, o belo e/ou o feio pode ser visível no imediato, à vista de todos, ou apenas ser visto por quem quer realmente ver, penetrando nas entranhas do mundo, nas profundezas do que está verdadeiramente escondido. Depende de quem vê, como vê e de onde vê.

É isso, gosto de olhar com olhos de ver, observar calmamente e até apreciar.
Gosto de fotografar gentes, costumes, a Alma destas pessoas, o que elas traduzem, os hábitos, a força de vontade delas, o que elas representam para a sociedade, gosto de fotografar o diferente, aquilo que normalmente as pessoas não gostam de ver ou preferem olhar para o lado, porque é mais fácil, porque, porque, porque, porque…

 É uma espécie de dicotomia, aquela que a vida habitualmente nos oferece e da qual já faz parte do nosso mundo, e da Vida que insistimos muitas vezes Viver sem assumir, ou seja, apenas existir.

Para Vivermos assumidamente temos que fazer a diferença em algo, temos que deixar um legado, normalmente dizemos que os filhos são o nosso maior legado, sim, é certo, mas… e os filhos daqueles que nada têm? Pois é! Esses também são um legado, o legado de alguém que não pode ter testemunho, por isso, há que fazer a diferença quando temos a hipótese, a possibilidade e acima de tudo a vontade de fazermos dos filhos dos outros também um legado.

Este livro é para todos os que infelizmente não podem usufruir desse legado, este livro é o legado dessas pessoas.


Ana Mascarenhas
24 de Janeiro de 2017




Prefácio do Livro de Cátia Arnaut "de mala às costas"


Por entre terras e mares que nos separam dos nossos entes queridos, quer por razões profissionais ou por outras, está o nosso “eu” que inicia uma crise de identidade pela qual se debate.

Uma crise de identidade de valores que julgámos serem únicos, uma crise de identidade cultural, pessoal, social, profissional, enfim… a nossa identidade que até então conhecemos como única começa a ser testada e a ser desafiada em cada experiência que por nós atravessa.

Mas, são estas experiências que nos fazem crescer. Crescemos como pessoas, crescemos interiormente, crescemos e respiramos de forma diferente.

É isto que a Cátia nos mostra nas suas news letters.
A Cátia tem o Dom de nos presentear com a alegria quando tudo parece desmoronar e tem a capacidade de dar a volta por cima quando tudo parece desabar.

Atravessar o mundo, derrubar fronteiras, desmistificar culturas, desbravar sensações que são únicas porque são igualmente ímpares as suas experiências, são a maior riqueza que o ser humano leva consigo nesta que é a mais curta viagem de uma vida.

Pequenas experiências relatadas pelas mãos da Cátia demonstram que o mundo é pequeno, mas ao mesmo tempo enorme nos seus caminhos cruzados, que refletem o que de melhor a vida tem, os afetos.

A Vida não é fácil e a de expatriada muito menos, viver fora da nossa zona de conforto e ainda por cima com uma filha bem pequena não é de todo tarefa para qualquer pessoa, é preciso ter uma grande dose de bagagem para poder ter a coragem que a Cátia tem. Mas, são as pessoas que vamos conhecendo ao longo das várias estadias por onde passamos que nos vão dando forças e, são também através das amizades que vamos criando que vamos igualmente criando novos laços familiares, e é aqui que aprendemos o verdadeiro significado da palavra afeto.

O afeto por terras angolanas como a Cátia relata é um afeto verdadeiro, sem segundas intenções, o abraço ou o Kandandu como lhe chamam, é um dos afetos mais puros e sentidos por estas terras, por outro lado, não há calor mais humano que o calor africano, este povo que cresceu e cresce com a dor, continua a ter amor para dar, continua a ter afetos para nos ensinar.

Obviamente que existe o outro lado, mas como em qualquer outra parte do mundo aprendemos a viver com o bom e o menos bom.

Aprendemos também o outro lado da dor, o lado da perda dos amigos que partem para outras paragens antes de nós. A vida de expatriado é isto mesmo. Aliás, como aconteceu com a Cátia, primeiro Dubai, depois Angola e agora novamente Portugal. Deixamos amigos, e deixamos a nossa nova zona de conforto criada para o efeito. Esta é a vida de emigrante, esta é a vida que por umas ou outras razões escolhemos como sendo a nossa vida, mas é a vida de pequenos confortos que vamos criando que faz com que desafiemos o nosso “eu” a sair dessa suposta zona quando necessário for.

E é assim que verificamos que o que de melhor temos nesta vida não são os bens materiais, não é a casa onde vivemos ou o carro que andamos, também não é o trabalho porque não é eterno, mas, são os laços que criamos com as pessoas que conhecemos, são os afetos que partilhamos e os momentos que criamos, porque esses são nossos e nem mesmo o tempo os consegue tirar, nem o tempo nem ninguém, porque já os vivemos, já os sentimos, já os cheiramos, já nos consciencializamos que os momentos são únicos porque nossos e isso, garanto-vos, a Cátia vive-os bem, ensinou-me também a vivê-los e com ela tenho aprendido a saber o que é de facto Viver com vontade de Viver, a saborear cada momento e cada pedaço de tempo. Ensinou-me algo muito importante também, ensinou-me a viver os momentos disfóricos da mesma forma como vivo os eufóricos, a saborear as lágrimas e a tristeza da mesma forma que saboreio o sorriso e a alegria, é importante sabermos sentir tudo de todas as maneiras.

A Cátia traduz nas suas news letters muito bem esse sentir, essa revolta, esse grito calado, que é tão importante como a gargalhada ou simplesmente o sorriso com vontade de sorrir.

A vida de expatriada como relatei anteriormente não é fácil, e mais difícil é com uma criança, mas, se soubermos usar a nossa energia e canalizá-la de forma correta, se soubermos que a vida é feita de momentos e os momentos devem ser preenchidos essencialmente com afetos, então sim, a vida de expatriada torna-se no conforto em qualquer parte do mundo, porque a zona de conforto passa a ser simplesmente o nosso “eu”, a nossa Alma e o nosso sentir.


Ana Mascarenhas
26 Novembro 2016




Prémio VEA - Vivre en Angola


3º Lugar no Concurso de Fotografia lançado pela Petrolífera Total em Junho de 2016




A receção do Prémio




Sessão de Autógrafos do Livro "Os Limites do mal..."








Sessão de Autógrafos do Lançamento do Livro "Os Limites do mal..."
FNAC Vasco da Gama - 23.04.16

Sessão de Lançamento do Livro "Os Limites do mal..." por Cátia Arnaut


Apresentação do Livro "Os Limites do mal..." por Cátia Arnaut
FNAC Vasco da Gama - 23 de Abril de 2016

Sessão de Lançamento do Livro "Os Limites do mal..."

FNAC - Vasco da Gama - 23.04.16

Discurso de Apresentação do Livro "Os Limites do mal..." na FNAC



O caminho das pedras faz-se lenta e silenciosamente. Um caminho doloroso, mas necessário.
As separações não são fáceis, deixam sequelas, mas, há sequelas e sequelas, há as sequelas que o tempo apaga e as sequelas que o tempo insiste em reescrever.

Eu decidi não permitir que sequela alguma em mim habite.

Não gosto do processo de vitimização e abomino solenemente quem se aproveita deste processo para conseguir atingir os seus fins. Gosto de pessoas lutadoras, que se empenham em atingir os seus objetivos sem magoar terceiros. Gosto de pessoas que virem a página, de pessoas que não impeçam os outros de ser felizes, porque fazer da infelicidade alheia uma missão, não é senão o espelho da sua própria infelicidade, e isto não é fácil de ver ou até de reconhecer.
E este livro é o testemunho de como o mal não tem limites, que tudo se faz e diz sem consequências maiores… a imposição de um outro ser e a vitimização são alguns dos ingredientes que pautam este livro.

Não quero nem sou vitima de nada a não ser de mim própria.

Eu faço o meu caminho, eu pago pelos meus erros, mas também pago pelas minhas vitórias e conquitas… não faço dos outros bodes expiatórios, nem imponho a minha presença a ninguém, não obrigo ninguém a me amar ou odiar, mas obrigo-me a mim mesma a ser quem eu sou, a ser leal para comigo mesma, a ser leal para com os meus sentimentos e princípios. Por isso, hoje estou aqui, denunciando-me sem pudor, sem medos ou receios, porque Vida só tenho uma e é nela que eu quero habitar sem qualquer tipo de preconceito, temor ou pavor.

Aprendi a Viver a Vida com intensidade, a registar todos os momentos, aprendi que a Vida é demasiado preciosa para permitir que a tristeza e o ódio habitem nela.
Aprendi a valorizar cada momento meu, aprendi a valorizar-me e decidi que jamais ser algum me voltará a tratar mal…

Aprendi a gostar de Mim.
Obrigada!


Ana Mascarenhas


Entrevista ao Jornal "Inside" - O Jornal à tua medida







I.F. Como se vê a Ana Mascarenhas Pessoa da Escritora?

A.M. Atualmente a Ana Mascarenhas Pessoa não difere muito da Ana Mascarenhas Escritora. Decidi dedicar-me a causas, e a escrita não é exceção. Através da escrita quero denunciar os males da sociedade. Como Pessoa denuncio o que acho estar errado quer seja através dos órgãos competentes, quer seja através de atos próprios, com a escrita faço o mesmo, faço das letras o grito de alerta.


I.F. O que te motiva e leva a continuar a escrever?

A.M. Acima de tudo o que me motiva a escrever são as emoções. Quer sejam elas eufóricas ou disfóricas são as emoções a base da minha motivação, porque tudo me provoca emoção, logo, tudo me motiva. A injustiça, os afetos, o prazer, o deleite, a cobardia, o medo, a ganância, enfim… sentimentos e as suas contradições humanas resumidas numa única palavra… emoções.


I.F. Sei que vem nova obra a caminho. Como nasceu, a razão? O que sentiste enquanto a escrevias?

A.M. Sim, é verdade! Está para breve uma nova obra e nasce na sequência da primeira pergunta, ou seja, decidi dedicar-me a causas. Por razões muito pessoais, decidi fazer da minha própria experiência de vida uma força interior, um alerta, uma denuncia, chamar a atenção da sociedade para o que está mal, o que devemos fazer para mudar, não recear sair da zona de conforto, desafiar os nossos medos e aprender a viver, porque vida só há uma e é nela que temos que apostar.
O que senti ao escrever??! Senti muita coisa. Muitas emoções, contradições, revolta, pena, raiva, mas também, serenidade por me saber livre, por me saber em paz para comigo mesma, por saber que nada fiz para merecer o que me aconteceu e acreditar que um dia o tempo me dará as respostas que hoje não tenho. O tempo aparentemente nosso inimigo é o nosso maior aliado.

Bolero!




Fecho os olhos
Oiço a música
Ela em mim cresce, floresce
Bolero!

O som levemente perscrutado pelos meus ouvidos
Segue na direção do meu cérebro e este apenas o dirige para o meu corpo
Uma vez mais, Bolero!

De olhos vendados e sentidos apurados, Bolero fecunda-me a Alma
Invade-me o corpo e dele faz o seu palco, o seu recinto de melodia
Com ele os meus braços acenam suavemente como asas de borboletas
Que espantam o vento, mas não a ventania… é tudo muito suave… a música toca

Toca ainda no seu estado mais puro, as batidas são delicadas, por isso o corpo dança
Balança com pés de veludo, sem machucar, sem esvoaçar
A batida aumenta, os sons esventram-me o corpo, e nele tudo estremece
Os sentidos tendem a explodir, a música força-me a sentir
É uma vez mais, Bolero!

O delicado passa a excessivo, entro em erupção, entro em completo transe, explosão
A música torna-se insolente, descarada, metediça, e sem licença pedir, penetra-me no corpo e dele faz o seu coito, o seu prazer… sentir, apelar e saborear o que é bom de ouvir…. Bolero!

Sim, Bolero de Ravel, a balada que aumenta o prazer de sentir ao ouvir tamanha melodia. 


Ana Mascarenhas

Ana Mascarenhas na RDS Lisboa

Ana Mascarenhas esteve na RDS Lisboa para falar sobre o seu próximo Livro "Os Limites do Mal".





No decorrer da conversa entre quem é a Ana Mascarenhas como Mulher e o que faz em Angola, Ana Mascarenhas leu um poema de sua autoria intitulado "Sou Lisboa!"


Sou cidadã do mundo!
Mas hoje choro!

Choro porque sei irei em breve deixar novamente a minha Lisboa

Lisboa que me viu nascer
Lisboa que me viu crescer
Lisboa que me viu florescer
Lisboa que me viu amar
Lisboa que me viu parir
Mas, também, Lisboa que me viu morrer

Hoje choro!
Choro por deixar a minha Lisboa da forma como tenho que deixar
Choro por deixar a minha Lisboa que tanto Amo
Choro por deixar a minha Lisboa, a minha história, a minha Vida, também

Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
E não deixo de Amar cada canto por onde passo
Cada recanto por onde ando
Cada pessoa que trespasso
Cada cultura que aprendo
Mas acima de tudo não deixo de Amar também a Minha Lisboa

A terra que me viu nascer, aquela em que me mataram a Alma
Mas também aquela em que dela faço a Fénix renascida das cinzas

Sou cidadã do Mundo!
Aprendi a sê-lo!
Mas acima de tudo sou Lisboa!


Ana Mascarenhas





A Equipa
Sandra Brazinha e Carlos Pinto Costa